Comprar um carro com mais de 10 anos exige cuidados
Modelos com essa idade já trazem boa parte dos itens de conforto de um modelo atual, mas a tecnologia pode exigir atenção
Publicado em 06/07/2026 às 06h00
Atualizado em 09/07/2026 às 21h33
Para muitos consumidores, os preços dos carros novos estão inviáveis, e um carro com mais de 10 anos de idade acaba suprindo as necessidades. Isso se reflete nas ruas, onde a maioria dos veículos vistos possui alguns anos nas costas.
Mesmo com as vendas de carros novos crescendo a cada ano, a média de idade da frota brasileira aumentou para 15,43 anos. Esse dado veio de um estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).
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Apesar de os carros com 10 anos ainda serem próximos aos modelos atuais em muitas características, a manutenção não é a de um carro novo. Com a idade, é preciso ter cuidados adicionais.
O brasileiro roda, em média, 12 mil km por ano. Isso significa que os carros com 10 anos já devem ter por volta de 100 mil km, com exceções para mais ou para menos, dependendo do ano. No plano de manutenção, já existem alguns serviços adicionais que aparecem acima desse valor.
Os cuidados necessários para um carro com 10 anos
Geralmente, as manutenções programadas acima dos 10 anos ou 100 mil km já começam a incluir itens de maior durabilidade, como o líquido de arrefecimento do motor. Por isso, é bom olhar o manual do carro que você está interessado em comprar, que pode ser encontrado no site do fabricante.
De acordo com o mecânico Ludovico Ballesteros, proprietário da Pitucha Centro Automotivo, com essa idade é preciso ter mais atenção com a manutenção preventiva. Ele aponta que borrachas, mangueiras, suspensão, bomba d’água e sistema de arrefecimento sofrem desgaste natural com o tempo.
A idade também faz com que alguns serviços passem a ser mais frequentes, como os de suspensão, freios, bateria e alguns sensores. As trocas de fluidos também passam a ser mais corriqueiras.
Carros com 10 anos já estão com muita tecnologia embarcada

A década de 2010 trouxe muitos avanços para os carros nacionais. A obrigatoriedade do ABS e do airbag duplo matou projetos muito antigos, e já existia a previsão de normas mais exigentes de emissões e segurança para os anos seguintes.
Lançamentos como o Chevrolet Onix, o Volkswagen Up, o Ford Ka, o Nissan March e o Hyundai HB20 repaginaram o segmento de carros compactos. Eles passaram a oferecer itens como central multimídia, câmera de ré, câmbio automático e outros que antes eram reservados a modelos mais caros.
Alguns desses carros também vieram com motores novos, como os 1.0 de três cilindros. Os médios, como o Chevrolet Cruze, estavam adotando os motores turbo com injeção direta.
E como isso envelheceu? Por um lado, a tecnologia ajuda também na hora de diagnosticar os problemas, com a utilização de um scanner. Ludovico Ballesteros alerta sobre a eletrônica nos carros recentes.
“Muitos já têm bastante eletrônica. O maior erro é trocar peças por tentativa; hoje, um bom diagnóstico faz toda a diferença. Esses componentes eletrônicos sofrem com a nossa temperatura e com a vibração do nosso piso péssimo”, atesta o especialista.
Motores com turbo e injeção direta já estão no mercado de usados

Vamos excluir modelos premium e os esportivos. O downsizing, termo que descreve motores pequenos turbinados, chegou aos carros de volume no Brasil em 2013 com o Volkswagen Golf 1.4 TSI.
Em 2015, a marca alemã trouxe o 1.0 TSI para o Up, que já era flex. Nos anos seguintes, apareceram outras opções: o 1.4 turbo do Chevrolet Cruze e do Tracker, e o 1.5 turbo da Honda.
Esses primeiros motores turbinados não tiveram vida fácil; a injeção direta de alguns teve “alergia” ao etanol, por exemplo. Eles também são sensíveis à manutenção mal feita, como Ludovico Ballesteros aponta:
“Os turboalimentados envelhecem muito mal devido à falta de manutenção dos donos e à qualidade do nosso combustível, principalmente pela adição de etanol.”
É por isso que, no mercado de usados, os carros com motores aspirados costumam ser mais procurados. O desempenho e o consumo podem não ser tão bons, mas a conta na oficina será menor.
Câmbio automático pede atenção com o tempo

Há 10 anos, o câmbio automático já era popular no Brasil e as ofertas eram boas. Recomendamos apenas evitar os carros automatizados, os AL4 da Peugeot e Citroën, o DSG a seco da Volkswagen e o Powershift da Ford.
Mas as caixas mais confiáveis, como as dos carros japoneses, não dispensam cuidados. Com 10 anos, já passou da hora de realizar a troca do óleo; negligenciar esse serviço pode gerar quebras que saem caro.
Para Ludovico Ballesteros, a troca do óleo do câmbio automático é um serviço importante a se fazer em um carro usado:
“O óleo do câmbio precisa ser trocado a cada 60.000 km ou 4 anos. Ignorar essa manutenção pode gerar um prejuízo muito alto. De novo, a temperatura do nosso país faz esses componentes sofrerem demais.”
