Condutores reivindicam melhor formulação da lei; manifestação ganha maiores proporções e exige soluções para problemas da categoria
Motoristas de aplicativo e entregadores fazem manifestação no centro de Belo Horizonte, e várias outras capitais, nesta terça-feira (14). O movimento, que também ocorre em outras cidades do país, é contra o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/25, que, segundo os condutores, regulamenta o trabalho, mas beneficia apenas as plataformas e o governo.
Na capital mineira, os condutores saíram da Praça do Papa em direção à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A manifestação, que já aborda temáticas maiores do que a PLP, deve perdurar até o fim da tarde.
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O Projeto de Lei Complementar 152 de 2025 voltou à pauta após parecer que alterou o texto no último dia 7 de abril e a marcação de reunião para debater a aprovação da medida nesta terça-feira.
A Câmara dos Deputados emitiu nota nesta manhã cancelando a reunião.
Segundo o texto atualizado, a PLP estabelece pontos centrais como:
Previdência Social
Ganhos, taxas e remuneração
Remuneração para entregas:
Gorjetas e promoções:
Benefícios adicionais
Foram excluídos da nova versão benefícios como a gratificação de 30% em dezembro, adicionais para trabalho noturno, domingos e feriados e a possibilidade de formação de reserva (poupança) custodiada pela plataforma.
Trabalho, segurança e transparência
Regras para punições
Foram removidos na nova versão o limite de jornada de 12 horas, o tempo mínimo de 15 segundos para aceite, o botão de pânico obrigatório no aplicativo e o direito de mulheres atenderem apenas mulheres.
Segundo a Comunidade Chofferando, que integra uma das frentes da manifestação, as novas propostas não são benéficas aos trabalhadores e visam apenas à taxação.
Em publicação colaborativa, o motorista Fábio Cabral afirma que “o PL 152 é um projeto que não nos representa, não nos protege e só vem para beneficiar empresas e aumentar a carga sobre quem já trabalha duro todos os dias”.
Em entrevista ao AutoPapo, o motorista e criador de conteúdo Francisco Bianchi esclareceu que o movimento não quer acabar com a regulamentação, mas sim torná-la justa para os trabalhadores
A principal preocupação dos motoristas é que o projeto, do jeito que está, não resolve os problemas reais da categoria e ainda pode criar novos. Há um sentimento forte de que as decisões estão sendo tomadas sem ouvir quem está na ponta, vivendo o dia a dia das corridas. Questões como remuneração mínima justa por quilômetro, transparência nos repasses das plataformas e equilíbrio na quantidade de motoristas ativos não estão sendo tratadas de forma efetiva.
Além disso, há receio de que a regulamentação aumente custos ou burocracias para o motorista sem garantir uma melhora real na renda. No fim, quem está dirigindo quer previsibilidade e dignidade no trabalho, não apenas mais regras.” afirmou o trabalhador.
O motorista ainda deixou seu parecer de soluções que de fato ajudariam a categoria: definição de ganho mínimo por quilômetro rodado que acompanhe custos reais como combustível, manutenção e depreciação do veículo; transparência das plataformas em relação ao valor pago pelo passageiro e o que é repassado ao motorista; limites mais equilibrados na entrada de novos motoristas, para evitar saturação do mercado e incentivos ou políticas específicas para quem trabalha em tempo integral.
Durante a manifestação, os condutores aproveitaram para ir além do que é tratado no PLP e reivindicar medidas consideradas mais justas para a categoria.
Em carro de som que puxa o comboio, lideranças do movimento questionam o novo modelo de taxação e afirmam que incentivos à categoria possibilitariam, por exemplo, transporte com mais qualidade e veículos mais novos.
Ao passar em frente à prefeitura, os manifestantes pediram apoio, em tom de protesto, ao prefeito Álvaro Damião.
Os motoristas de aplicativo e entregadores já chegaram à Assembleia de Belo Horizonte e concentram o movimento no local. Não há previsão para o fim da manifestação.