Por que os EUA vão cobrar pedágio dos foguetes lançados no país?

Nova cobrança sobre cargas úteis busca reforçar orçamento do órgão responsável por licenciar missões de foguetes comerciais no país

Nova taxa dos foguetes busca recompor orçamento de órgão público dos EUA (Foto: Nasa | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 08/05/2026 às 17h00

A Federal Aviation Administration (FAA), órgão regulador da aviação e do espaço nos Estados Unidos, anunciou a implementação de uma tarifa inédita sobre os lançamentos de foguetes espaciais comerciais. A medida, que entra em vigor ainda em 2026, incide diretamente sobre as cargas úteis certificadas pelo Escritório de Transporte Espacial Comercial (AST). A agência é a responsável por supervisionar requisitos críticos de segurança, impacto ambiental e conformidade legal das operações privadas no setor.

A decisão surge em um momento de pressão orçamentária para o órgão. Em 2025, o AST enfrentou uma retração de 5,6% em seu financiamento, apesar do crescimento exponencial das atividades aeroespaciais comerciais. O governo dos Estados Unidos passou a defender, desde então, uma recomposição de 43,3% no orçamento da entidade. A nova taxa é vista como uma solução para ampliar a capacidade operacional e o quadro de pessoal técnico da agência, que hoje lida com uma demanda por licenças acima de sua capacidade produtiva.

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A cobrança inicial foi fixada em US$ 0,25 por libra (cerca de 453 gramas) de carga útil enviada ao espaço, com um teto de US$ 30 mil por missão. Embora os valores pareçam reduzidos frente aos custos milionários do setor, a FAA pretende aplicar a tarifa de forma retroativa a todos os lançamentos realizados desde janeiro de 2026. Essa interpretação pode gerar cobranças imediatas de milhões de dólares para as principais empresas de exploração espacial.

A base jurídica para a tarifa é a lei “One Big Beautiful Bill”, sancionada em 2025 por Donald Trump. O planejamento prevê reajustes graduais até 2033, quando o valor por libra poderá atingir US$ 1,50 e o teto por lançamento chegará a US$ 200 mil. Após esse período, os montantes deverão ser corrigidos anualmente pela inflação.

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