O componente que causa quase metade das panes na estrada está com os dias contados na Leapmotor

Bateria Cell-to-Chassis 3.0 acumula alta e baixa tensão e dispensa o componente de chumbo-ácido usado nos carros há mais de 70 anos

Nova bateria CTC 3.0 da Leapmotor reúne funções de alta e baixa tensão em um único sistema (Foto: Leapmotor | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 21/09/2026 às 12h00

A Leapmotor pretende eliminar de seus carros a bateria auxiliar de 12 V, um componente presente nos automóveis há mais de sete décadas. A mudança está prevista para os modelos de nova geração da marca chinesa, com lançamento a partir de 2027.

A solução foi apresentada no Leapmotor Tech Day 2026, realizado nas instalações da Hu Zhou Battery, em Hangzhou. Batizada de Cell-to-Chassis (CTC) 3.0 de Alta e Baixa Tensão, a nova bateria incorpora ao próprio sistema de tração a alimentação de baixa tensão hoje entregue por uma bateria separada.

Em comunicado, a empresa afirma que, quando a tecnologia chegar à próxima geração de modelos, eles serão os primeiros automóveis de série em mais de 70 anos a dispensar uma bateria auxiliar de chumbo-ácido.

A diferença está na distribuição de energia: em vez de uma bateria de alta tensão para a propulsão e outra, de 12 V, para os demais componentes elétricos, a CTC 3.0 acumula as duas funções. Segundo a Leapmotor, a nova geração tem sete vezes mais capacidade de operação em baixa tensão do que a anterior, o suficiente para alimentar iluminação, limpadores de para-brisa, climatização, multimídia e equipamentos de segurança.

Alta e baixa tensão passam a usar as mesmas células e módulos e a dividir a gestão térmica e a distribuição de energia.

O componente que mais deixa carro parado

No relatório anual de panes do ADAC, maior clube automobilístico da Europa, divulgado neste ano, a bateria de partida responde por quase metade dos chamados de assistência na estrada, independentemente do tipo de motorização. Nos elétricos, o clube alemão também registrou parcela relevante de ocorrências ligadas ao sistema elétrico de bordo.

Sujeita a desgaste, a bateria de 12 V precisa ser trocada ao longo da vida útil do veículo. Ao transferir a função de baixa tensão para a bateria principal, a Leapmotor afirma que essa substituição periódica deixa de ser necessária. A fabricante estima ainda que a adoção da tecnologia em larga escala pode evitar o uso de dezenas de milhões de baterias de chumbo-ácido por ano, com redução proporcional de resíduos.

Células dentro do chassi

A sigla CTC descreve o conceito: em vez de módulos alojados em uma estrutura separada, células e módulos são integrados diretamente ao chassi. A CTC 3.0 faz parte da arquitetura LEAP 5.0, que servirá de base para os próximos lançamentos da marca. A empresa ainda não informou qual modelo estreará o sistema.

No Brasil, a Leapmotor opera desde o fim de 2025 sob a estrutura da Stellantis, com rede de 36 concessionárias e os SUVs C10, nas versões elétrica e REEV, e B10. A marca não indicou se e quando a nova arquitetura chegará aos modelos vendidos no país.

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