Moto movida a vapor é a mais rápida do mundo e vai de 0 a 100 km/h em 0,4 segundo
Projeto britânico chega a 6,8 Gs e supera a aceleração de muitos supercarros, mas só perde para uma moto a foguete
Publicado em 26/06/2026 às 19h00
Uma motocicleta movida a vapor tornou-se a mais rápida do mundo em aceleração. Batizada de “Force of Nature” e construída pelo engenheiro britânico Graham Sykes, a moto acelera de 0 a 100 km/h em apenas 0,4 segundo e foi apresentada recentemente no circuito de Santa Pod, no Reino Unido.
Sykes, engenheiro de precisão de 62 anos natural de North Yorkshire, contrariou a lógica do mundo das altas velocidades. Em vez de recorrer a motores a combustão, elétricos ou à propulsão a foguete, apostou em uma tecnologia que muitos consideram coisa do passado: o vapor. A ideia surgiu, segundo ele, ao assistir ainda jovem às tentativas do norte-americano Evel Knievel de saltar o Snake River Canyon a bordo de um foguete a vapor.
O segredo está na física aplicada. Um pequeno queimador alimentado a querosene ou óleo vegetal aquece os 120 litros de água deionizada armazenados em um vaso de pressão, onde a temperatura chega a 250 ºC e a pressão alcança 580 psi. Liberada por um par de bocais de Laval a cerca de 1,1 vez a velocidade do som, a água superaquecida vira vapor quase instantaneamente e transforma a moto em um projétil sobre duas rodas.
Os números são de tirar o fôlego. Além dos 0,4 segundo até os 100 km/h, a “Force of Nature” submete o piloto a forças de até 6,8 Gs — índice comparável ao que enfrentam pilotos de caças militares. No pico da aceleração, um condutor de 85 kg chega a “pesar” o equivalente a 578 kg. Em um trecho de quarto de milha (402 metros), a moto cravou 5,5 segundos, atingindo 310 km/h.

O desempenho rendeu a Sykes recordes como o de moto mais rápida do mundo no oitavo de milha. No quarto de milha, ele figura em segundo lugar entre todas as motos da história: o tempo absoluto ainda pertence ao francês Eric Teboul, que em setembro de 2022 percorreu a distância em 4,976 segundos a bordo de uma moto movida a foguete de peróxido de hidrogênio.
Agora em sua quinta geração, o protótipo segue em desenvolvimento. Sykes, envolvido com arrancadas desde 1979, quer reduzir a turbulência e a cavitação no fluxo de água — hoje a moto expele cerca de 40 litros por segundo — para estender o tempo de propulsão, limitado a aproximadamente 2,9 segundos. A meta é ousada: cortar 0,6 segundo do tempo no quarto de milha e baixar a marca para menos de 5 segundos.
