Plano para conter prejuízos prevê que marca da Stellantis utilize plataforma premium desenvolvida pela Huawei em conjunto com a JAC
A fabricante italiana de carros de luxo Maserati está em negociações avançadas com as empresas chinesas Huawei e JAC Motors para terceirizar o desenvolvimento e a produção de seus futuros veículos eletrificados. A medida — adiantada pelo site chinês Yunjian Insight — representa uma ruptura histórica na estratégia da marca do grupo Stellantis, que sempre priorizou a fabricação exclusiva em solo italiano, e surge como resposta direta a uma crise financeira desencadeada pelo colapso de suas vendas globais.
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Pelo modelo de cooperação em debate, o grupo automotivo JAC assumiria as etapas de pesquisa, desenvolvimento e produção fabril, utilizando os sistemas de conectividade, software e propulsão elétrica fornecidos pela gigante de tecnologia Huawei. À Maserati caberia a responsabilidade pelo refinamento do design, calibração dinâmica e a gestão global da marca.
O arranjo prevê uma diferenciação mercadológica: os automóveis resultantes da parceria seriam comercializados na China sob a marca Maextro —divisão de altíssimo luxo do ecossistema de mobilidade da Huawei—, mas exportados para o restante do mundo ostentando o tradicional logotipo do tridente italiano. A sinergia visa acelerar a transição energética da fabricante europeia, que enfrenta dificuldades para desenvolver plataformas elétricas competitivas de forma independente.

A aproximação com a cadeia de suprimentos asiática é impulsionada por resultados comerciais críticos. O volume de emplacamentos globais da Maserati despencou 57% em um ano, recuando de 26,6 mil unidades para apenas 11,3 mil veículos. O forte recuo operacional gerou ociosidade nas linhas de montagem europeias e pressionou as margens de lucro de sua controladora.
O plano de reestruturação é conduzido pelo novo CEO global do conglomerado, Antonio Filosa, que assumiu o cargo com a missão de reverter o prejuízo operacional. O executivo deve detalhar as diretrizes do acordo nos próximos meses, sob o desafio de equilibrar a percepção de valor e a herança histórica da grife de luxo com a necessidade de adotar tecnologias e custos de manufatura competitivos da indústria chinesa.