Carro elétrico dá prejuízo para 18 fabricantes

Levantamento publicado em portal norte-americano indica que quase 20 marcas, sem contar chinesas, gastaram mais do que faturaram com elétricos

Gasto com carro elétrico ainda não foi amortizado e conta das fabricantes seguem no vermelho (Foto: Shutterstock | Reprodução)
Por Fernando Calmon
Publicado em 23/05/2026 às 17h00

Levantamento foi feito por Paul Eisenstein, um dos jornalistas especializados em automóveis mais respeitados e publicados do mundo. Seu trabalho já apareceu em numerosos veículos de notícias. O premiado americano é pioneiro no jornalismo digital e fundou o site Headlight.News. Agora em março, publicou no Autoblog um texto que surpreendeu ao nominar 18 marcas que tiveram prejuízos ao lançarem carros elétricos. A maioria já mudou os planos de curto prazo e decidiu investir em híbridos.

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Não se trata de desistir dos elétricos e sim de repensar estratégias. Os subsídios elevados acabaram ou foram drasticamente reduzidos pelos governos do Hemisfério Norte e também do Sudeste Asiático, incluindo Japão, Coreia do Sul e até a China. Os balanços financeiros dão razão a Eisenstein. São prejuízos recuperáveis adiante, contudo fica difícil indicar quando e como.

Em ordem alfabética, esta é a lista compilada pelo jornalista: Acura, Chevrolet, Dodge, Ford, Genesis, Honda, Hyundai, Infiniti, Kia, Lamborghini, Land Rover, Maserati, Nissan, Polestar, Porsche, Ram, Tesla e Volkswagen. Nenhuma marca chinesa foi citada porque as informações disponíveis são pouco precisas ou mesmo comparáveis. No caso da Tesla, que só produz elétricos, as vendas recuaram em 2024 e 2025. BYD não está incluída, todavia o recuo alcançou mais de 35% no primeiro bimestre de 2026 com o fim dos subsídios estatais, embora a empresa se mantenha como maior produtora de elétricos.

A Honda, este mês, foi a última a anunciar seu primeiro prejuízo contábil em 70 anos atribuído aos gastos com desenvolvimento e às baixas vendas. Seu foco agora concentra-se em híbridos e abandonou a meta de só vender elétricos até 2040.

Hoje, o problema principal concentra-se na rede de recarga em estradas, além do tempo que exige. Alcance também é menor durante viagens por dificultar a regeneração obtida em frenagens.

Em poucas palavras, volto a resumir o cenário atual: rumo certo, ritmo incerto.

“Bafômetro” no painel, tão preciso quanto útil

Vem da Alemanha a novidade. A parceria entre o fabricante de autopeças Aumovio e a TrinamiX, subsidiária da BASF, resultou em uma solução que promete atacar um dos maiores gargalos da segurança viária: a direção sob efeito de álcool. Trata-se de um sensor biométrico que mede o nível de etanol no sangue e entrega o resultado em poucos segundos. A operação é tão intuitiva quanto destravar um smartphone.

Grande mérito da engenharia aqui foi a miniaturização. O sistema utiliza espectroscopia e inteligência artificial para analisar a reflexão da luz nos tecidos sob a pele. Isso permite que o sensor seja integrado de forma fácil ao painel ou console, sem poluir o visual do interior — ponto crucial para não comprometer os interiores sofisticados dos carros atuais.

Essa tecnologia age de forma preventiva e discreta, antes mesmo de o motorista dar a partida. Quando a ponta do dedo é colocada no sensor, pulsos de luz invisíveis são emitidos e quaisquer moléculas de etanol presentes podem ser detectadas. A reflexão característica da luz é então analisada usando métodos de avaliação baseados em IA para determinar com precisão a alcoolemia do motorista.

Essa nova alternativa ao bafômetro já nasce preparada para futuras exigências da lei, sem sacrificar a comodidade. A precisão técnica do método já teve eficácia comprovada em estudos clínicos, na Alemanha. Em breve, uma versão comercial poderá ser oferecida aos fabricantes de veículos. Preço ainda por anunciar.

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