Teste dos 100.000 km revela saúde de carros elétricos com muita quilometragem

Análise de quase 10 mil testes no mercado sueco mostra desgaste menor que o esperado, mas não inclui as marcas chinesas

Kia Niro manteve saúde da bateria em 97,25% após 100.000 km (Foto: Kia | Divulgação)
Por Eduardo Passos
Publicado em 22/07/2026 às 12h00

Quem torce o nariz para carro elétrico costuma repetir o mesmo medo: e quando a bateria “viciar”? Um novo estudo sueco enfraqueceu esse receio ao analisar quase 10 mil testes de saúde de bateria de diferentes veículos do tipo. Segundo a plataforma Carla. os carros elétricos mais bem colocados da pesquisa ainda guardam mais de 95% da capacidade original de carga depois de 100 mil km rodados.

Os dados foram coletados entre 2022 e 2026 no mercado de usados da Suécia, com diagnóstico da empresa austríaca Aviloo. No topo aparecem dois modelos coreanos: o Kia e-Niro (64 kWh), com 97,25% de saúde, e o Hyundai Kona Electric (64 kWh), com 97,18%.

Mesmo o pior colocado entre os 20 primeiros, o Volkswagen ID.3, manteve 91,79%. O estudo não incluiu montadoras chinesas — justamente as marcas que hoje lideram as vendas de elétricos no Brasil.

O levantamento mostrou, entretanto, que a química e o fornecedor das células pesam tanto quanto o modelo. No Tesla Model 3, versões com célula da chinesa CATL preservaram 93,3%, contra 88,2% das equipadas com baterias da japonesa Panasonic.

Por que a bateria perde capacidade

Toda bateria de íon-lítio envelhece por dois caminhos, segundo revisões científicas publicadas em periódicos como o Journal of the Electrochemical Society. O primeiro é o passar do tempo: uma camada isolante chamada SEI cresce sobre o eletrodo e vai “aprisionando” lítio, o que reduz a carga disponível. O segundo vem do uso: cada recarga provoca microrrachaduras nos eletrodos e, no frio ou na recarga rápida, pode depositar lítio metálico. E o calor acelera todas essas reações — quanto mais quente, mais rápido o desgaste.

Para amenizar o problema, quase todo pacote de bateria esconde uma reserva de capacidade: o que o painel mostra como 100% nunca é o limite físico das células. Há também o gerenciamento térmico, muitas vezes com arrefecimento líquido, softwares que limitam corrente e temperatura e a recomendação de manter a carga entre 20% e 80% nas químicas de níquel. Já as baterias de LFP, mais estáveis, aceitam carga a 100% sem o mesmo estresse. Não à toa, a lei nos EUA exige garantia de pelo menos 8 anos ou 160 mil km (100 mil milhas) para o conjunto.

Para quem pensa em comprar um elétrico usado, o recado do estudo é direto: um teste de saúde da bateria vale tanto quanto olhar quilometragem e ano do carro.

Confira o top-20:

Posição Modelo Bateria Saúde após 100 mil km
Kia e-Niro 64 kWh 97,25%
Hyundai Kona Electric 64 kWh 97,18%
Kia EV6 77,4 kWh 95,95%
Volvo XC40 Recharge 69 kWh (CATL) 94,70%
Polestar 2 78 kWh (CATL) 94,35%
BMW i3 120 Ah 93,77%
Polestar 2 78 kWh (LG Chem) 93,53%
Tesla Model 3 60,5 kWh (CATL, LFP) 93,34%
Audi e-tron 50 71 kWh 93,02%
10º Audi e-tron 55 95 kWh 92,93%
11º Skoda Enyaq iV 77 kWh (SW 3.x) 92,88%
12º Tesla Model 3 78,8 kWh (LG Chem) 92,83%
13º Tesla Model S 96 células 92,80%
14º Volkswagen ID.4 77 kWh 92,77%
15º Skoda Enyaq iV 77 kWh 92,60%
16º Tesla Model X 96 células 92,52%
17º Volkswagen ID.4 77 kWh (SW 3.x) 92,27%
18º Tesla Model Y 78,8 kWh (LG Chem) 92,18%
19º Audi Q4 e-tron 77 kWh 92,18%
20º Volkswagen ID.3 58 kWh 91,79%
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