Por que placas com limite de velocidade ‘quebrado’ fazem todo sentido?

Estratégia utiliza números decimais para romper o hábito de condutores que ignoram sinalizações convencionais em áreas de risco

Sinalização com números incomuns virou tendência em locais com alto fluxo nos EUA (Foto: Reprodução)
Por Júlia Haddad
Publicado em 30/04/2026 às 21h00

Um condado no estado de Wisconsin (EUA) recorreu a uma estratégia inusitada para lidar com a falta de atenção dos motoristas. Em vez das placas com os tradicionais limites de 15 ou 20 milhas por hora, as autoridades locais instalaram sinalizações com o limite de 17,3 mph (cerca de 27,8 km/h). A medida, adotada nas proximidades de um centro público de reciclagem, visa combater o excesso de velocidade e a desatenção crônica em áreas de grande circulação.

Embora o valor exato possa parecer um erro de impressão ou uma brincadeira, a escolha é estritamente deliberada. Segundo as autoridades de trânsito, a maioria dos condutores está tão habituada aos sinais convencionais que as placas terminam por se tornar “ruído visual”, sendo processadas pelo cérebro de forma automática e, muitas vezes, ignoradas como meras sugestões.

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O fator psicológico da sinalização

A lógica por trás dos números “quebrados” baseia-se na psicologia comportamental. Ao confrontar o motorista com um dado inesperado, como 17,3 mph, o cérebro é forçado a abandonar o modo automático e realizar um processamento cognitivo ativo. Esse breve momento de estranhamento é suficiente para que o condutor tire o pé do acelerador e foque na sinalização e no entorno, aumentando a segurança para pedestres e operários.

Wisconsin não está sozinho nessa iniciativa. No estado do Colorado, próximo a um centro comercial em Colorado Springs, placas indicando 8,2 mph (13,2 km/h) também foram instaladas com o mesmo propósito. Especialistas apontam que, embora intervenções de infraestrutura — como lombadas, rotatórias e estreitamentos de pista — sejam mais eficazes para reduzir a velocidade física, as placas decimais oferecem uma alternativa de baixo custo para mitigar a distração ao volante.

Ainda que o debate sobre a eficácia a longo prazo continue, uma vez que o fator novidade pode se desgastar com o tempo, o uso de decimais reflete o esforço das prefeituras americanas em encontrar soluções criativas para reduzir índices de atropelamentos sem a necessidade imediata de obras viárias complexas.

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