O perigo na tomada: bombeiros revelam horário crítico de incêndios com veículos elétricos

Hábito comum de deixar veículos elétricos na tomada durante a madrugada fez ocorrências dispararem. Veja recomendações para evitar problemas

Bombeiros do RJ fizeram levantamento inédito sobre incêndios de baterias de veículos elétricos (Foto: CBMERJ | Reprodução)
Por Júlia Haddad
Publicado em 26/05/2026 às 15h00

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) divulgou um levantamento inédito apontando o crescimento contínuo de incêndios envolvendo baterias de lítio de veículos eletrificados. O estudo, baseado em ocorrências registradas entre 2024 e o primeiro trimestre de 2026, acompanha o crescimento da frota de elétricos e traz atenção aos riscos do carregamento em ambientes domésticos.

A escalada nas estatísticas é notável. Foram 30 ocorrências em 2024, saltando para 33 em 2025. Apenas nos três primeiros meses de 2026, a corporação já somou 18 atendimentos. A micromobilidade elétrica domina o cenário: motocicletas, ciclomotores e veículos autopropelidos lideram com 36 casos em todo o período, seguidos por bicicletas elétricas, com 25 registros.

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A análise revela que 42% dos incêndios ocorreram em residências. Os focos concentram-se em quartos, salas e cozinhas, onde o carregamento das baterias frequentemente acontece próximo a colchões, sofás e cortinas. Essa proximidade à chamada “carga de incêndio” favorece a rápida propagação das chamas e eleva o risco de intoxicação, dificultando a evacuação. Além disso, boa parte dos casos concentra-se entre meia-noite e 6h, indicando relação com o carregamento prolongado na madrugada.

A complexidade desses incidentes vai além da propagação do fogo. Segundo o CBMERJ, o combate exige técnicas especializadas, pois as baterias apresentam alto risco de reignição, dificuldade de resfriamento e intensa emissão de fumaça tóxica. Embora 62% dos eventos tenham sido controlados inicialmente por populares, os outros 38% exigiram ação tática em locais como garagens e lojas.

O secretário de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Tarciso Salles, ressalta a prevenção. A recomendação oficial é carregar os dispositivos em locais ventilados, com carregadores certificados, e evitar deixá-los conectados à tomada durante a noite ou em áreas que obstruam rotas de fuga.

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