Em queda na China, BYD já fatura mais com carros vendidos no exterior

Guerra de preços e queda dos híbridos plug-in derrubaram a receita doméstica em 31% e o lucro líquido em 20,5%, apesar da alta de 34% nas vendas externas

Com queda nas vendas internas, BYD viu a receita internacional superar a doméstica no primeiro semestre (Foto: BYD | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
Publicado em 02/09/2026 às 22h00

A BYD faturou mais fora da China do que dentro do próprio país no primeiro semestre de 2026, algo inédito em sua história. Segundo o balanço divulgado pela fabricante em 28 de agosto, 53% da receita total veio de mercados internacionais, em um semestre marcado por guerra de preços e colapso da demanda doméstica.

Nos primeiros seis meses do ano, a montadora acumulou 181,3 bilhões de yuans (cerca de US$ 27 bilhões, ou R$ 138 bilhões) em receita externa, alta de 34% sobre o mesmo período de 2025. No mercado interno, a arrecadação recuou 31%.

A dimensão da inversão aparece nos volumes. A marca BYD emplacou 795.169 veículos na China no semestre, queda de 45,9% na comparação anual, conforme registros de seguro compilados pelo China EV DataTracker. No mesmo período, o grupo vendeu 792.256 automóveis fora do país — praticamente o mesmo número, mas com alta de 70,6%.

O desempenho externo não foi suficiente para blindar o resultado. A receita global caiu 7,1%, para 344,8 bilhões de yuans (US$ 50,9 bilhões), e o lucro líquido atribuível aos acionistas recuou 20,5%, para 12,3 bilhões de yuans (US$ 1,8 bilhão).

Brasil é o maior mercado externo

A operação internacional funcionou como escudo de margem. A margem bruta das vendas no exterior chegou a 22%, avanço de 1,9 ponto percentual em um ano, e puxou a margem bruta consolidada de 18,01% para 18,85%.

O avanço é sustentado por investimentos em capacidade fabril e distribuição na Europa, no Sudeste Asiático e na América Latina. O Brasil se tornou o maior mercado da BYD fora da China e integra, junto com Hungria e Turquia, a lista de países onde a montadora está erguendo produção local.

O problema está nos híbridos

A fraqueza doméstica tem endereço específico: os híbridos plug-in. O grupo vendeu 2.288.709 unidades da categoria em 2025, queda de 7,9% sobre 2024, e o recuo continuou em 2026 — 1.265.017 carros entre janeiro e agosto, 11,2% menos que um ano antes. Outras marcas do conglomerado vão melhor, como a Fang Cheng Bao, que emplacou 131 mil unidades na China no semestre, alta de 115%, volume ainda insuficiente para compensar a perda da marca principal.

Julho e agosto sugerem uma virada. Nos dois meses, a BYD vendeu 844.456 carros no mundo, alta de 18,5%, puxada pelos elétricos puros (+29,6%), enquanto os plug-in avançaram 6%. Só em agosto, as vendas externas bateram recorde de 190 mil unidades, mais que o dobro do registrado no ano anterior.

A pressão não é exclusiva da BYD. As vendas de veículos de passeio no varejo chinês caíram 21,1% em julho, décima retração mensal consecutiva, segundo a associação CPCA, enquanto as exportações do país cresceram 88,2%. No mercado interno, mais de cem marcas seguem disputando espaço.

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