China define quanto os carros devem consumir em 2030 e quem pode abrir fábrica de elétricos

Pequim quer ver montadoras chinesas entre as dez maiores do mundo em vendas e consumo médio de 11,5 kWh/100 km nos elétricos de passeio

Novo plano quinquenal da China quer que eletrificados alcancem 70% das vendas até 2030 (Foto: Wikimedia | Reprodução)
Por João Paulo Profeta
Publicado em 15/09/2026 às 10h00

O governo chinês publicou o plano de desenvolvimento da indústria de veículos de nova energia (NEVs, que incluem elétricos e carros a hidrogênio) inteligentes e conectados para o período de 2026 a 2030, com a meta de que esses modelos respondam por 70% das vendas domésticas de carros de passeio ao fim da década. Para veículos comerciais, o alvo é 40%.

O documento, datado de 9 de setembro, foi divulgado na sexta-feira (11) pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) e assinado em conjunto por nove órgãos do governo, entre eles a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e o Ministério dos Transportes.

Direção autônoma, consumo e consolidação

A condução autônoma é um dos eixos centrais. Até 2030, o governo quer automação de alto nível em rodovias, vias expressas urbanas e parte das vias municipais, com desempenho de segurança substancialmente superior ao de motoristas humanos. Estão previstas demonstrações com carros de passeio, ônibus, logística de longa distância e entrega urbana.

O plano fixa ainda alvos de eficiência: consumo médio de 11,5 kWh/100 km para elétricos de passeio e de 3,3 litros por 100 km — o equivalente a cerca de 30,3 km/l — para a frota de passeio como um todo. Também mira 15% de ganho de produtividade do trabalho ante 2025 e quer ver várias montadoras chinesas entre as dez maiores do mundo em vendas, além de fornecedores locais entre os cem maiores.

Outro capítulo trata de conter o excesso de capacidade. O governo promete condições rígidas para autorizar novas fabricantes independentes de NEVs, controle da capacidade instalada de baterias e estímulo a fusões e consolidações entre regiões. Há ainda um recado aos governos locais: o texto pede freio a subsídios, isenções fiscais e cessões de terra irregulares usados para atrair investimento.

Na frente tecnológica, o plano aponta lacunas em semicondutores automotivos, sistemas operacionais, software industrial e materiais críticos, além de melhorias em segurança, velocidade de recarga e desempenho a frio das baterias. Prevê recarga de alta potência, redes rurais, integração veículo-rede e corredores de frete rodoviário de carbono zero para caminhões pesados elétricos.

O que é um plano quinquenal chinês

O texto não é uma peça isolada: é o desdobramento setorial do 15º Plano Quinquenal, aprovado em 12 de março pela Assembleia Popular Nacional do país. Herdados do modelo soviético e adotados pela China desde 1953, os planos quinquenais são o principal instrumento de planejamento estatal do país.

O documento-mestre traça diretrizes amplas, com poucos prazos. Cabe a ministérios, províncias e estatais desdobrá-lo em cascata, em planos setoriais como o divulgado agora — e é neles que as metas numéricas aparecem. Desde março, o sistema também passou a ter base legal própria, com a Lei de Planejamento do Desenvolvimento Nacional.

Na prática, essas metas orientam o crédito dos bancos estatais, as políticas provinciais e as decisões de investimento das montadoras. Por isso mexem com o mercado: em julho, quando o MIIT apenas anunciou que aceleraria a preparação do plano, as ações de montadoras listadas em Hong Kong subiram.

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