Após 71 anos de trauma, Suíça volta a liberar corridas de carro no país

Veto instaurado após tragédia em Le Mans em 1955 é derrubado; mudança permite o retorno de competições de circuito, mas infraestrutura ainda é e problema

Revogação da proibição de corridas na Suíça foi celebrada em evento especial (Foto: Dominic Romney | FIA Fórmula E | Getty Images)
Por Tom Schuenk
Publicado em 12/05/2026 às 08h00
Atualizado em 12/05/2026 às 09h13

A Suíça encerrou oficialmente um dos banimentos mais longevos da história do esporte a motor ao suspender a proibição de corridas automobilísticas em circuitos fechados no país. A restrição vigorava desde 1955, promulgada como resposta drástica ao desastre nas 24 Horas de Le Mans, que vitimou 84 pessoas e chocou a comunidade internacional na época. A decisão do Conselho Federal Suíço marca o término da vigência do Artigo 52 da Lei de Trânsito Rodoviário, abrindo uma nova era para o automobilismo no território alpino.

A revogação do veto é o ápice de um processo legislativo que ganhou força nos últimos anos. Em 2022, o Parlamento suíço já havia sinalizado o desejo de modernizar a norma, culminando agora na liberação total para eventos competitivos em circuitos circulares. Até então, a legislação local era rigorosa, permitindo apenas ralis e provas de subida de montanha (hill-climb), sob a justificativa de que competições de pista eram inerentemente perigosas e desnecessárias.

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Com a nova regulamentação, a autoridade para permitir ou vetar eventos foi transferida para os 26 cantões que compõem o país. Essa autonomia regional reflete a flexibilização iniciada entre 2018 e 2019, quando exceções pontuais foram abertas para a Fórmula E em Zurique e Berna sob o argumento da sustentabilidade e mobilidade elétrica.

Apesar do fim do embargo legal, o retorno imediato de categorias de elite, como a Fórmula 1, enfrenta barreiras físicas. Atualmente, a Suíça não possui autódromos que atendam aos critérios de “Grau 1” da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). A queda da lei, contudo, regulariza a prática do esporte para talentos locais e abre margem para investimentos em infraestrutura, permitindo que o país, berço de pilotos renomados como Sébastien Buemi e Clay Regazzoni, possa enfim sonhar com seu próprio Grande Prêmio.

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