Montadoras querem contratar, mas faltam trabalhadores qualificados no Brasil

Levantamento inédito encomendado pela Ford revela que falta de conhecimento técnico e de fluência em inglês são os principais gargalos para contratação

Escassez de mão de obra qualificada afeta áreas como inteligência artificial, software e segurança da informação (Foto: GWM | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 11/05/2026 às 08h00

O mercado de tecnologia brasileiro vive um cenário de escassez crítica: 98% das médias e grandes empresas enfrentam dificuldades para preencher vagas no setor. O dado, revelado pela pesquisa inédita “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências”, elaborada pela Ford em parceria com o Datafolha, expõe o descompasso entre a velocidade da inovação e a disponibilidade de profissionais qualificados no país.

O levantamento consultou 250 líderes de RH e Tecnologia da Informação de diversos segmentos, como varejo, finanças e saúde. De acordo com o estudo, a carência técnica é o principal entrave para 72% dos entrevistados, enquanto 54% apontam a ausência de experiência como barreira. Especialistas em Inteligência Artificial (35%) e engenheiros de software (31%) lideram a lista de funções mais difíceis de ocupar.

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A pesquisa também acende um alerta sobre as chamadas “soft skills”. Cerca de 37% das empresas frequentemente rejeitam candidatos tecnicamente aptos devido à falta de inteligência emocional ou pensamento crítico. O idioma é outro filtro severo: 78% das companhias desclassificam quem não possui domínio do inglês. Esse gargalo reflete no tempo de recrutamento, com apenas 14% das vagas sendo fechadas em menos de um mês.

Esse movimento de carência de talentos ganha contornos mais nítidos com a entrada de gigantes de tecnologia no setor automotivo. O cenário exige que empresas invistam em formação própria. Como resposta, o programa Ford <Enter> oferece capacitação gratuita em áreas como Python e Ciência de Dados para pessoas em vulnerabilidade. Com mais de mil formados, o projeto está com inscrições abertas para novas turmas em São Paulo até o dia 3 de maio, visando reduzir o abismo entre a demanda do mercado e a oferta de mão de obra.

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