A China virou pesadelo da Porsche: lojas fechando, recargas desligadas e 3.900 vagas cortadas
Com vendas em queda de 21% e prejuízo por carro vendido, a marca alemã fecha lojas na China e prepara corte de 3.900 empregos
Publicado em 03/07/2026 às 22h00
A Porsche começou a encolher sua operação na China, que já foi o maior mercado da marca no mundo, diante de uma queda acentuada nas vendas. A montadora alemã fechou quatro concessionárias regionais em 30 de junho, nas cidades de Wuhu, Jining, Huai’an e Nanning, e prepara um corte bem mais amplo: pretende reduzir a rede local de 116 para cerca de 80 pontos nos próximos anos. As informações foram publicadas pelo site chinês IT-home e reproduzidas pelo CarNewsChina.
As quatro lojas encerraram as atividades e terão as autorizações de venda revistas; ainda não está claro quais seguirão prestando serviço aos clientes atuais. O tombo nas entregas explica o movimento. A Porsche fechou 2025 com 41.938 unidades vendidas na China, queda de 26,3% ante 2024, e o recuo continuou em 2026: foram 7.519 carros no primeiro trimestre, 21% a menos na comparação anual, a maior retração entre todos os mercados da marca no início do ano. Fora da Alemanha, as vendas caíram em quase todas as regiões no período.
A conta não fecha para os revendedores. Segundo o levantamento, cada concessionária estaria perdendo de 20 mil a 30 mil yuans por carro entregue (cerca de R$ 15 mil a R$ 23 mil), o que ajuda a explicar a decisão de enxugar a rede para recuperar rentabilidade.
O ajuste vai além do varejo. A Porsche desativou cerca de 200 pontos de recarga ultrarrápida (DC) no país, infraestrutura erguida a alto custo, e planeja simplificar a linha, aposentando versões de pouca saída, como o Taycan Sport Turismo. No plano global, a marca já acertou com os sindicatos o corte de 3.900 postos de trabalho até 2030, parte de um plano do Grupo Volkswagen para eliminar 50 mil vagas na Alemanha.
Os cortes vêm depois de um ano difícil. Em 2025, o lucro operacional da Porsche despencou cerca de 93%, corroído por baixas contábeis de aproximadamente 3,9 bilhões de euros ligadas à revisão da estratégia elétrica, à queda na China e às tarifas de importação dos Estados Unidos. As entregas do Taycan, seu carro elétrico de maior prestígio, recuaram 22% no ano. No mercado chinês, marcas locais como a Xiaomi passaram a superar as europeias em tecnologia e preço. Sob o novo CEO, Michael Leiters, a empresa recalibrou os planos: adiou modelos elétricos, reforçou motores a combustão e híbridos e adotou uma lógica de valor acima de volume.
Para o Motor1, o quadro reflete a guinada do mercado para longe dos elétricos, cujos efeitos tendem a ser mais severos na China. Montadoras com portfólios mais amplos teriam fôlego para absorver o baque; a Porsche, mais dependente de nichos, se vê obrigada a um ajuste estrutural profundo.
