Leapmotor A10: guiamos o ‘Renegade’ elétrico da Stellantis

SUV compacto com motor de 204 cv e autonomia para até 500 km (no ciclo chinês) tem tudo para tirar o sono de Geely EX2, BYD Dolphin e Yuan Pro

O SUV mede 4,27 m de comprimento e 2,60 m de entre-eixos (Foto: Marcelo Jabulas | AutoPapo)
Por Marcelo Jabulas
Publicado em 22/04/2026 às 14h00

Fomos até um dos complexos industriais da Leapmotor, nos arredores de Hangzhou, para conhecer a gama para o mercado chinês. Atualmente a marca oferece seis modelos como o SUV compacto A10 e o imenso D19. Mas é o pequenino que tem tudo para brilhar por aqui.

O SUV de 4,27 m de comprimento e 2,60 m de entre-eixos é equipado com motor de 205 cv e 20,4 kgfm de torque (montado sobre o eixo traseiro). Segundo a marca, ele conta com baterias que entregam autonomia na faixa dos 500 km, pelo otimista ciclo chinês. Pelas normas do Inmetro, podemos esperar algo em torno de 350 km.

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A Leapmotor não afirma se o carro virá, ou não, para o Brasil. Mas a julgar pelo que fez em 2025, quando nos levou para a mesma cidade para conhecer os modelos B10, C10 e dirigir o grandalhão C16, podemos apostar que o SUV deverá ser a próxima aposta da marca no Brasil. O ritual foi o mesmo.

E se considerarmos os preços praticados pela Leap, o A10 (que não pode usar esse nome fora da China por questões de registro de marca) pode chegar com preços entre R$ 140 mil e R$ 180 mil. Trata-se da faixa em que modelos como BYD Dolphin, Geely EX2 e Yuan Pro se posicionam.

Além disso, se julgarmos também pelo interesse do público brasileiro por SUVs e a crescente demanda por elétricos menos aviltantes, o A10 pode ser a bala de prata para a Stellantis se consolidar no segmento. Isso porque a marca enxerga o Brasil como um mercado estratégico. Para acertar no alvo, ela precisa ter preço melhor que o BYD, que tem preços entre R$ 160 mil e R$ 183 mil.

Executivos da matriz, na China, querem atingir a marca de 1 milhão de unidades distribuídas em 2026. Nesse contexto há o imenso mercado doméstico, com mais de 30 milhões de vendas anuais, mas também um volume considerável para exportações. E nesse cenário, o Brasil deverá ser a base para abastecer o mercado latino.

A Leap irá iniciar suas operações na Argentina, Uruguai, Colômbia e Equador. E neste contexto, a produção localizada em Goiana (PE) terá papel fundamental na estratégia da marca.

Puxadão pernambucano

Leapmotor A10 interior painel
A cabine do carro é minimalista e possui a tela como destaque (Foto: Marcelo Jabulas | AutoPapo)

Questionamos o vice-presidente da Leapmotor, Felipe Daemon, que está na China, sobre a possibilidade de ampliar a capacidade de produção da fábrica pernambucana, que atualmente opera a todo vapor com a produção de modelos Jeep, Ram e Fiat, fora os Leap B10 e C10, que serão montados por lá. Sem dar detalhes, o executivo foi enfático: “se for de um ponto de vista de negócio que traga retorno, a empresa estará sempre aberta a expandir”, pontua.

Volta rápida

Dirigimos rapidamente, o A10 dentro do complexo industrial da Leapmotor. Antes do primeiro contato, já fomos alertados de que o carro está configurado para o mercado chinês. Ou seja, conteúdos como o sistema LIDAR, acerto de suspensão e algumas minudências de ordem legislativa local não estariam presentes num possível modelo vendido no Brasil futuramente.

O SUV agrada pelo conjunto da obra, tem torque para se deslocar de forma ágil, mas não é esportivo. Longe disso. Tem bom espaço interno, além de oferecer conforto na segunda fileira, graças ao assoalho plano.

O acabamento é mais simples que o dos irmãos B10 e C10, mas a montagem é boa e não faltam itens como bancos em couro e apliques acolchoados.

Entre os conteúdos, estão teto solar panorâmico, abertura elétrica do porta-malas (sem medidas divulgadas, mas conta com um compartimento profundo, abaixo da tampa, que deverá ser ocupado por um kit de reparo e recarga). Ele ainda conta com rodas de liga leve (aro 18), além de itens comuns nos modelos chineses como multimídia imenso, quadro de instrumentos digital, climatização e banco do motorista com ajuste elétrico.

Suspensão e freios

O Leap A10 utiliza suspensão do tipo McPherson (frente) e eixo de torção (traseira). Os freios são a disco nas quatro rodas. Na pista de testes, deu para perceber que o acerto é bem macio, ao gosto do consumidor chinês. Para cá, será preciso uma nova calibração, como foi feito com B10 e C10.

Assim, o Leap A10 pode ser a grande cartada da Stellantis para se consolidar no mercado de elétricos no Brasil. Ele terá uma concorrência forte, pois o Dolphin tem fama consolidada, que acaba puxando o Yuan a reboque. Já o EX2 caiu nas graças do consumidor, por conta da boa relação custo-benefício. Atributos para isso, o A10 tem.

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