Novo vírus infecta centrais multimídia de carros com Android sem o motorista perceber

Invasão não exige clique em links, pendrive nem aplicativo pirata, e atingiu equipamentos do tipo que é instalado depois da compra do carro no Brasil

Donos que instalam centrais multimídia extraoficiais são os mais vulneráveis (Foto: Jeep | Divulgação)
Por Eduardo Passos
Publicado em 18/09/2026 às 12h00

Você é um motorista atento aos riscos cibernéticos: não clica em links suspeitos, não conecta pendrives desconhecidos ao carro e nem utiliza aplicativos piratas. Mesmo assim, a central multimídia do seu carro pode virar peça de uma rede criminosa na internet.

É o que descreve uma análise da Kaspersky sobre uma campanha de malware criada especificamente para infectar centrais multimídia com Android.

Segundo os pesquisadores, o ataque abusou do próprio mecanismo de atualização do aparelho, aquele que existe justamente para manter o sistema seguro.

Uma vez instalado, o programa malicioso rodava em segundo plano, sem ícone e sem aviso na tela, e abria caminho para que outros componentes fossem baixados depois.

O que o invasor fazia com a sua central

A análise identificou funções para coletar dados técnicos do aparelho, como modelo, resolução da tela, rede Wi-Fi conectada e endereço MAC.

O código também praticava fraude publicitária e, principalmente, transformava a central em proxy: o tráfego de estranhos passava a trafegar pela conexão de internet do carro, integrando o equipamento a uma botnet, nome dado a redes de dispositivos controlados remotamente.

A atividade foi atribuída com alto grau de confiança ao grupo criminoso MoYu, associado à botnet BadBox, já ligada a ataques contra outros aparelhos Android conectados.

Menos mal que não há evidência de que os invasores tenham assumido direção, freios ou acelerador do veículo. O alvo era a multimídia e sua conexão com a internet, não os sistemas críticos do carro.

A Kaspersky também não divulgou lista de carros afetados, e ter uma central com Android ou usar Android Auto não significa, por si só, estar vulnerável.

Por que o caso interessa ao motorista brasileiro

As centrais atingidas usavam software da chinesa DoFun, fornecedora que atende tanto montadoras quanto equipamentos instalados depois da compra do carro.

Esse segundo grupo é enorme no Brasil, onde trocar o rádio de fábrica por uma multimídia genérica com Android virou praxe, muitas vezes em lojas de acessórios e sem qualquer garantia de que o fabricante do software continuará distribuindo correções. Parte desses aparelhos tem conexão própria, inclusive por chip de celular, o que amplia a exposição.

A DoFun foi notificada e afirmou ter corrigido a falha, o que torna a atualização do sistema a principal medida de proteção.

Vale ainda instalar apenas de fontes oficiais, evitar APKs e lojas alternativas, verificar se o fabricante ainda oferece atualizações de segurança e procurar assistência técnica caso a central passe a exibir anúncios inesperados, travar sem motivo ou consumir um volume estranho de dados.

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