Museu de carros clássicos fecha por falta de mecânico que entenda de carburador
Sem substituto para o mecânico que se aposentou, museu americano de clássicos desiste e leiloa 15 carros pela internet
Publicado em 23/09/2026 às 13h00
Um museu de carros antigos nos Estados Unidos vai fechar as portas e leiloar parte do acervo por um motivo que soaria improvável em passado não muito distante: ninguém na região sabe mais mexer em carburador.
O Snook’s Dream Cars, em Bowling Green, no estado de Ohio, funciona há 24 anos como um “museu vivo” — todos os carros expostos, de modelos dos anos 1930 aos 1970, precisam sair do lugar por conta própria. O acervo reúne a coleção de Bill Snook e é tocado pelo filho, Jeff.
O detalhe é que quem mantinha essa frota andando era Terry Stetler, mecânico veterano da casa, que decidiu se aposentar. Jeff Snook procurou um substituto, não encontrou e concluiu que também era hora de pendurar a chave de fenda. Museu vivo com carro parado, afinal, é só um estacionamento muito bem decorado.
Falta quem saiba regular a boia
Em entrevista ao jornal Toledo Blade, Snook afirmou que o gargalo está na formação: quem sai das escolas técnicas não aprende sobre carburador nem sobre carro antigo, o que torna cada vez mais difícil manter esses carros rodando.
Nos Estados Unidos, os últimos modelos com carburador saíram de linha em 1994 — a picape da Isuzu e a versão de entrada do Subaru Justy. O recordista de teimosia foi o Lada 2107, fabricado no Egito até 2014.
No Brasil, quase 30 anos sem carburador zero-quilômetro
Por aqui a história é parecida. A injeção eletrônica estreou no Volkswagen Gol GTi, em 1989, e foi se espalhando pela década seguinte sob pressão das regras de emissões do Proconve. O último suspiro carburado ficou com a Volkswagen Kombi, que só migrou para a injeção em 1997.
Ou seja: há quase três décadas ninguém compra no país um zero-quilômetro com boia, giclê e afogador — tempo suficiente para o assunto migrar das escolas técnicas para as oficinas de bairro e os clubes de antigos.
Com o fechamento do museu, 15 carros do acervo foram colocados à venda por meio da Hagerty, especializada em seguros e leilões de clássicos. A lista inclui exemplares pré-guerra, ícones dos anos 1940 e 1950 e roadsters europeus, entre eles Ford Model A, Packard One Twenty, Jaguar E-Type, Alfa Romeo Giulia Spider, Volvo P1800, Ford Mustang e Datsun 240Z.
Os demais carros da coleção seguem fora da venda e podem ser vistos em um tour virtual do próprio museu. Para quem desmonta um carburador de olhos fechados, fica a dica: havia uma vaga aberta em Ohio.
