Mulheres se consideram motoristas seguras, mas admitem um comportamento perigoso ao volante

Pesquisa com 1.720 mulheres em 33 países revela que 97% se dizem boas condutoras, mas 48% admitem usar o celular ao volante

Elas se julgam atentas, mas confessam celular, comida e até maquiagem ao volante (Foto: Getty Images)
Por João Paulo Profeta
Publicado em 26/06/2026 às 13h00

Uma pesquisa internacional com mulheres de 33 países expôs um descompasso entre como elas avaliam a própria direção e o que admitem fazer ao volante: 97% se consideram motoristas seguras e 94% afirmam dirigir com concentração total, mas quase metade reconhece usar o celular enquanto dirige.

O levantamento foi conduzido pela revista tcheca Zenavaute, especializada em mulheres no trânsito, em parceria com a organização Women’s Worldwide Car of the Year (WWCOTY). Foram 1.720 entrevistadas, ouvidas por questionário on-line entre maio e junho deste ano, com divulgação programada para o Dia Internacional da Mulher Motorista, 24 de junho. Apenas 3% reconheceram que “às vezes dirigem de forma insegura”.

A percepção de segurança, porém, esbarra nas próprias resposta: embora se classifiquem como atentas, 48% das participantes disseram usar o celular ao dirigir e 37% afirmaram que costumam comer ou beber na direção. Entre os demais comportamentos citados aparecem checar as crianças no banco de trás e entregar lanches (18%), fumar ao volante (17%) e, em menor escala, finalizar a maquiagem com o carro em movimento (5%).

O estudo também revelou um paradoxo geracional e de hábito. As mulheres com mais de 55 anos relataram os maiores índices de atenção plena, com 58% dizendo manter foco total, enquanto a faixa entre 25 e 34 anos foi a mais propensa a se distrair. Curiosamente, quem dirige com menos frequência tende a se dizer mais concentrada: entre as motoristas ocasionais, 65% relatam foco total, contra parcela menor entre as que pegam o carro todos os dias, possivelmente por encararem a direção de forma mais deliberada. Entre as que dirigem diariamente, porém, a confiança é quase unânime: 97% se julgam seguras ao volante.

O principal fator de estresse não são os filhos nem os passageiros, mas o comportamento de outros condutores, apontado por 70% das entrevistadas em todas as faixas etárias. Na sequência aparecem o trânsito intenso (51%), o mau tempo e a baixa visibilidade (36%), a pressão do tempo (36%) e a dificuldade para estacionar (34%).

Na segurança das crianças, os números são mais animadores. Mais de 75% das mães afirmam verificar com frequência se os pequenos estão presos corretamente, e a maioria se diz apta a instalar e ajustar as cadeirinhas. Dirigir com os filhos no carro, aliás, não costuma ser visto como algo estressante: apenas cerca de um quarto das mães apontou a situação como fonte de ansiedade.

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