Medida adiantada pelo ministro Guilherme Boulos visa reduzir dependência de alugueis; projeto prevê ainda pontos de apoio e mais transparência em recibos
O governo federal anunciou o lançamento de uma linha de crédito exclusiva destinada a motoristas de plataformas como Uber e 99, visando facilitar a aquisição de veículos próprios. A medida, detalhada pelo ministro das Cidades, Guilherme Boulos, busca enfrentar o elevado custo com locação de automóveis, que atualmente consome cerca de metade da receita bruta diária desses trabalhadores. A estratégia é converter o gasto com aluguel em investimento no patrimônio dos condutores, elevando a rentabilidade líquida da categoria.
O financiamento será viabilizado por meio de bancos públicos e integra um pacote de ações que tenta equilibrar a relação entre os trabalhadores e as gigantes de tecnologia. Para o governo, a emancipação financeira do condutor é um passo essencial diante da estagnação das tarifas e do aumento dos custos operacionais no setor de transporte por aplicativo.
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Apesar do suporte financeiro, a regulamentação da categoria via Projeto de Lei Complementar enfrenta resistências. O Palácio do Planalto admite que a pressão das empresas resultou em um texto que ainda carece de avanços significativos em direitos básicos. Um dos principais pontos de atrito é a ausência de uma tarifa mínima por quilômetro rodado, embora a proposta sugira um teto de 30% para a taxa de retenção das plataformas.
Para os entregadores, o cenário é ainda mais complexo. O impasse permanece sobre o valor mínimo por corrida; a proposta governamental estabelece R$ 8,50 para trajetos de até 4 km, enquanto lideranças da categoria reivindicam R$ 10,00 como patamar mínimo para viabilidade da atividade.
Como medida de conscientização para o consumidor, novas regras exigirão a exposição detalhada dos ganhos no recibo de cada serviço. O objetivo é permitir que o passageiro visualize a fatia destinada à plataforma e o valor real repassado ao condutor. Além do crédito, um convênio firmado com o Banco do Brasil prevê a criação de cem pontos de apoio nas principais metrópoles brasileiras, oferecendo infraestrutura básica de suporte aos profissionais.
A mudança de foco do governo, priorizando ações práticas e infraestrutura em detrimento de debates trabalhistas mais rígidos, sinaliza uma tentativa de pacificar a relação com a categoria.