Lamborghini desdenha dos rivais chineses de 3.000 cv: entenda o argumento da marca
Stephan Winkelmann diz que rivais asiáticos apostam em elétricos e não reproduzem som e emoção dos motores de grande deslocamento
Publicado em 02/09/2026 às 15h00
A Lamborghini afirma que os superesportivos chineses não a ameaçam, e o argumento é o motor. Em entrevista à revista britânica Auto Express, o presidente da marca italiana, Stephan Winkelmann, disse que não vê ameaça nos novos rivais asiáticos “porque eles estão fazendo carros elétricos”. Para o executivo, as marcas chinesas não competem no desempenho, no som e na emoção dos carros de Sant’Agata Bolognese.
A frase tem contexto recente. A Lamborghini engavetou o Lanzador, que seria seu primeiro modelo 100% elétrico, e o transformou em híbrido plug-in. A versão elétrica do Urus também foi descartada. Winkelmann justificou a mudança dizendo que a curva de aceitação de elétricos entre os clientes da marca está “perto de zero”. Hoje toda a linha é híbrida plug-in, com o V12 do Revuelto, de 1.015 cv, e o V8 biturbo do Temerario, de 920 cv.
O que as marcas chinesas já entregam
Os números chineses, no entanto, não são desprezíveis. Em setembro de 2025, o YangWang U9 Xtreme, da submarca de luxo da BYD, atingiu 496,22 km/h na pista de Papenburg, na Alemanha, e se tornou o carro de produção mais rápido do mundo, à frente do Bugatti Chiron Super Sport 300+. São quatro motores elétricos que somam 2.978 cv, segundo a fabricante.
Mais recentemente, a Denza, outra marca da BYD, lançou o Z, um esportivo elétrico de três motores com 1.604 cv. A versão de pista acelera de 0 a 100 km/h em 1,96 segundo e chega a 350 km/h. O apelo, porém, está no preço: na China, o cupê parte de 680 mil yuans, o equivalente a cerca de R$ 523 mil. No Brasil, um Porsche 911 Carrera GTS, esportivo de porte semelhante, custa a partir de R$ 1,52 milhão. Fora da China, o Denza Z fica bem mais caro: na Inglaterra, o mesmo cupê sai por praticamente o dobro do preço chinês.
GWM prepara um V8 biturbo
O cenário também começa a mudar de forma mais direta. A GWM desenvolve um superesportivo de motor central-traseiro que não será elétrico. O modelo usará um V8 biturbo de 4.0 litros associado a um sistema híbrido plug-in, apresentado pela empresa no ano passado, sobre monobloco de fibra de carbono. A própria montadora já declarou que o alvo é a Ferrari SF90 Stradale.
Se as marcas chinesas conseguirão fazer esportivos a combustão tão bem quanto fizeram os elétricos é outra questão. Por ora, a Lamborghini diz que só voltará a avaliar um modelo puramente elétrico perto de 2030.
