Janeiro e fevereiro são os melhores meses para comprar carro usado, diz especialista

Vendas de usados caíram 24,5% em janeiro ante dezembro, segundo a Fenauto, e o menor movimento nas lojas amplia o espaço de barganha

Tempo de estoque, modelo e metas das lojas pesam tanto quanto o calendário na hora de negociar (Foto: Rovena Rosa | Agência Brasil)
Por Júlia Haddad
Publicado em 15/09/2026 às 20h00

Não existe um mês perfeito para comprar carro usado com desconto, mas janeiro e fevereiro costumam reunir condições favoráveis para quem pesquisa, compara e está disposto a negociar. A avaliação é de Fred Bittar, CEO do Comprecar, e encontra respaldo nos números do setor: janeiro é justamente o mês em que menos brasileiros fecham negócio.

Segundo a Fenauto — federação que reúne os revendedores de veículos — foram comercializadas 1,34 milhão de unidades usadas e seminovas em janeiro de 2026, em queda de 24,5% em relação a dezembro.

A entidade atribui o recuo às despesas típicas do início do ano, como IPVA, IPTU e matrículas escolares, e ao período de férias. Menos compradores na loja significa, na prática, mais espaço para negociar.

O Comprecar, marketplace de anúncios que atua desde 2001 no interior de São Paulo, afirma que janeiro costuma registrar o maior volume de visitas ao portal, sinal de que o interesse do consumidor cresce nesse período. A empresa ressalva, porém, que o indicador mede busca, não preço.

“Em relação à entrada de anúncios, preços e abertura dos lojistas para negociação, não temos hoje dados que permitam apontar um mês específico”, afirma Bittar. Ele lembra que o mercado de usados varia conforme oferta, procura, crédito, comportamento do mercado de zero-quilômetro e condições econômicas.

Época do ano não é o único fator

Para o executivo, o calendário pesa menos do que o conjunto da operação. O tempo de permanência do veículo em estoque, o modelo, a versão, a procura por aquele carro específico e as condições comerciais de cada loja influenciam diretamente a margem de negociação.

Assim, um usado parado há meses no pátio tende a render mais abatimento do que um modelo disputado recém-chegado.

O fim do ano também abre janelas, especialmente por campanhas comerciais, renovação de estoque e fechamento de metas das lojas. Segundo Bittar, não há uma única época que funcione da mesma maneira para todos os veículos e consumidores.

Quem decide esperar pelo início do ano, contudo, precisa levar em conta que a calmaria dura pouco. Ainda pelos dados da Fenauto, fevereiro de 2026 já cresceu 1,7% sobre janeiro, e março disparou 22,8% na comparação mensal, com 1,67 milhão de unidades negociadas.

Ou seja: a brecha de barganha se fecha rápido conforme o mercado retoma o ritmo.

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