GM põe mais R$ 3,5 bilhões no Brasil para enfrentar os chineses com híbridos nacionais

Aporte de R$ 3,5 bilhões eleva o plano da montadora até 2028 e abre caminho para Tracker e Montana híbridos no país

GM prepara a transição energética e pode antecipar a eletrificação de modelos como Tracker e Montana (Foto: GM | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 26/06/2026 às 10h00

A General Motors anunciou nesta quarta-feira (24), em Brasília, um investimento adicional de R$ 3,5 bilhões no Brasil, que eleva para R$ 10,5 bilhões o plano da montadora previsto até 2028. O novo aporte será direcionado principalmente à produção de veículos eletrificados da Chevrolet e à modernização das operações da empresa no estado de São Paulo. O anúncio foi feito ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB).

O valor complementa os R$ 7 bilhões anunciados em 2024 e reforça a estratégia da fabricante para a transição energética no mercado brasileiro. Segundo a GM, os recursos serão aplicados na renovação do portfólio, na incorporação de novas tecnologias e na ampliação das capacidades de engenharia e manufatura — embora a companhia não tenha detalhado quais fábricas paulistas receberão o dinheiro.

“A indústria automotiva vive um período de profunda transformação tecnológica. Este investimento amplia nossa capacidade de desenvolver e produzir veículos competitivos no Brasil, acelera a adoção de novas tecnologias e contribui para a formação de competências e empregos que serão essenciais para o futuro da mobilidade”, afirmou Thomas Owsianski, presidente da GM América do Sul.

A movimentação abre caminho para a chegada dos primeiros híbridos nacionais da Chevrolet, que hoje não tem modelos do tipo em sua linha. Entre os candidatos estão o SUV Tracker e a picape Montana, fabricados em São Caetano do Sul. Para eles, a GM desenvolve no Brasil um sistema híbrido leve de 48 volts acoplado aos motores turbo de três cilindros, como o 1.2 flex, que hoje entrega 141 cv e 22,9 kgfm.

Embora a Chevrolet ainda não confirme quais serão os primeiros modelos a receber a tecnologia, a iniciativa acompanha o avanço da concorrência. Os carros eletrificados já respondem por cerca de 16% dos emplacamentos no país, fatia liderada por marcas como BYD, GWM e Toyota.

O movimento também é favorecido pelo programa Mover, do governo federal, que concede benefícios fiscais a empresas que produzem elétricos e híbridos em território nacional.

Desde o plano original de 2024, a GM renovou o Onix e o Tracker, ampliou a oferta de elétricos com o Spark EUV e o Captiva EV — produzidos no Polo Automotivo do Ceará — e prepara uma nova fase de eletrificação para a marca.

A decisão acompanha ainda uma inflexão na estratégia global da montadora. Depois de priorizar os carros totalmente elétricos nos últimos anos, a GM voltou a apostar em sistemas híbridos: enquanto o Brasil receberá os híbridos leves (MHEV), a empresa prevê lançar híbridos plug-in (PHEV) na América do Norte até 2027.

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