Gasolina com 35% de etanol entra em testes; entenda o que muda no seu carro

Ensaios vão avaliar consumo, emissões e desgaste de componentes; salto de 32% para 35% de etanol ainda depende de aprovação do CNPE

Testes da gasolina E35 começam e colocam os carros antigos no centro da preocupação; (Foto: Shutterstock)
Por Júlia Haddad
Publicado em 21/09/2026 às 19h00

O governo federal formalizou o plano de testes da gasolina E35, mistura com 35% de etanol anidro, o teor máximo autorizado pela Lei do Combustível do Futuro (14.993/24). A portaria do Ministério de Minas e Energia (MME) foi publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (18), e os ensaios começam nos próximos dias, com previsão de se estenderem até 2027.

O cronograma foi aprovado em 11 de setembro pelo Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro (CTP-CF), mas a adoção da nova mistura não é automática: caberá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidir, depois dos resultados, se o percentual sobe. Até lá, a gasolina comum continua com 32% de etanol, e a premium, com 25%.

A avaliação chega pouco depois da entrada em vigor do E32, em 1º de agosto deste ano, recebida com resistência por fabricantes e importadoras de veículos. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a pedir a suspensão da distribuição. A elevação de 30% para 32% vale por 180 dias, prorrogáveis por igual período, e sua permanência está condicionada justamente aos testes do E35.

Donos de carros flex devem notar aumento no consumo. O etanol tem poder calorífico menor que o da gasolina: cada litro do derivado da cana entrega cerca de 70% da energia do combustível fóssil. Nos veículos mais recentes, porém, a eletrônica compensa parte da conta. Isso porque os motores modernos trabalham com taxa de compressão intermediária e, ao identificar um combustível de maior octanagem, o sistema de gerenciamento eletrônico pode se ajustar sozinho e operar em regime mais eficiente.

Carros antigos no centro da preocupação

A situação é mais delicada na frota velha, já que o excesso de álcool pode atacar materiais e corroer borrachas e elastômeros, além de provocar falhas em sensores de carros monocombustível que não reconhecem a mistura.

Muitos desses veículos mais antigos foram calibrados para rodar com 22% de etanol. Saltar para 35% exigiria cautela inclusive no controle de emissões, avalia o engenheiro, que defende a oferta de um combustível com maior proporção de gasolina para esse público. O obstáculo é o preço: hoje, a única opção nesse perfil é a premium, mais cara na bomba.

A gasolina comum brasileira passou de 22% para 27,5% de etanol em 2015, patamar mantido por uma década. Subiu a 30% em agosto de 2025 e a 32% em agosto de 2026.

0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Deixe um comentário