Ford Ranger 6×6 pode substituir os Land Rover Defender no exército do Reino Unido

Versão 6x6 usa chassi da Ranger Super Duty, soma motor diesel V6 e motor elétrico e concorre com Land Rover, GM e Ineos por 2.500 unidades licitadas

A Ford Ranger 6x6, em sua versão militarizada baseada no chassi Super Duty, enfrenta testes severos de inclinação e terreno. O modelo é a aposta da Ford, General Dynamics e da empresa Ricardo na concorrência para equipar o Exército Britânico até 2030. (Foto: General Dynamics | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
Publicado em 09/09/2026 às 18h00

A Ford entrou na disputa por um dos maiores contratos de veículos militares em aberto no Reino Unido. Ao lado da General Dynamics Land Systems UK e da consultoria de engenharia Ricardo, a montadora inscreveu versões militarizadas da Ranger, incluindo uma variante de seis rodas, no programa Light Mobility Vehicle (LMV), do Ministério da Defesa britânico.

O edital prevê a compra de cerca de 2.500 utilitários leves para aposentar as frotas de Land Rover Defender e Steyr-Puch Pinzgauer até 2030, dentro de uma iniciativa avaliada em 4,8 bilhões de libras (cerca de R$ 33 bilhões). A Ranger concorre com o Land Rover Defender Wolf Series II e com propostas de General Motors e Ineos.

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Foto: General Dynamics | Divulgação

O consórcio levou dois protótipos à vitrine. O primeiro é uma picape de quatro rodas derivada da versão Wildtrak, com para-choque tubular, santantônio na caçamba e pintura de camuflagem. O segundo, mais ambicioso, tem carroceria de aparência semelhante à da configuração XLT, mas usa o chassi da Ranger Super Duty, desenvolvida na Austrália. A conversão de seis rodas não é inédita: Ricardo e Ford já haviam mostrado um exemplar em 2023. A novidade é a entrada da General Dynamics no grupo.

V6 diesel com reforço elétrico

Sob o capô fica o motor V6 3.0 turbodiesel com 209 cv e 61,2 kgfm, associado a um sistema híbrido. Segundo dados divulgados anteriormente pela Ricardo, um motor elétrico traseiro acrescenta 286 cv nas configurações 6×6 e 6×4.

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Foto: General Dynamics UK | Divulgação

A preparação para o uso em campo inclui blindagem inferior de aço, caixa de transferência reforçada, bloqueio dos diferenciais dianteiro e traseiro e suspensão de maior curso, que eleva a altura livre do solo para quase 30 cm e permite atravessar trechos alagados de até 85 cm. A capacidade de reboque chega a 4.500 kg, a carga útil a 1.982 kg e o peso bruto total combinado a 8.000 kg. No interior, um software tático de missão roda na central multimídia de série, de 12″.

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Foto: General Dynamics | Divulgação

Testes começam em outubro

As avaliações do Ministério da Defesa estão previstas para ocorrer entre outubro de 2026 e janeiro de 2027, de acordo com o Defense Blog. A General Dynamics afirma que a proposta é escalável e de baixo custo, e que atende às necessidades do Exército britânico ao mesmo tempo em que abre espaço para exportação. São argumentos que ainda não passaram pelo crivo dos testes oficiais.

A lógica é conhecida por aqui. As Forças Armadas brasileiras também aposentaram Land Rover Defender e Toyota Bandeirante ao padronizar a frota leve em torno do Agrale Marruá, adotado em 2005 e ainda em serviço. A diferença é que o projeto nacional nasceu militar, enquanto os britânicos avaliam adaptar picapes de linha civil.

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