Estudo expõe abismo financeiro entre marcas de luxo e de volume; exclusividade se consolida como o maior trunfo contra a alta dos custos de produção
Um estudo recente da consultoria Car Industry Analysis revelou quais marcas de carros mais lucram por cada unidade vendida, além de evidenciar o abismo financeiro que separa as marcas de luxo das fabricantes de maior volume. A análise, que calcula o lucro operacional dividido pelo número total de veículos entregues, demonstra que a exclusividade se tornou o maior trunfo do setor automotivo para driblar a escalada dos custos de produção e os gastos bilionários com a transição elétrica.
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A Ferrari lidera o ranking com uma vantagem praticamente inalcançável para a concorrência. A montadora italiana lucrou 223.680 euros (cerca de R$ 1,25 milhão) por cada carro vendido, um salto significativo em relação aos 202.589 euros (R$ 1,13 milhão) registrados no levantamento anterior. Para se ter dimensão desse domínio, a JLR precisaria vender 12 veículos para igualar o lucro de uma única unidade da marca de Maranello. No caso da Tesla, seriam necessários 38 carros; para a Mercedes-Benz, 45.
O sucesso financeiro da Ferrari está ancorado em uma estratégia de rigoroso isolamento produtivo. Operando de forma independente de grandes grupos, a empresa controla seu volume de fabricação para garantir que a demanda sempre supere a oferta. Além disso, a ampla gama de programas de personalização eleva o preço final de cada modelo a patamares recordes, blindando a marca contra pressões inflacionárias.
| Marca | lucro por carro – 2025 (em €) | lucro por carro – 2024 (em €) |
|---|---|---|
| Ferrari | 223 680 € | 202 589 € |
| JLR | 18 657 € | 22 911 € |
| Tesla | 5859 € | 6606 € |
| Mercedes-Benz | 4943 € | 6720 € |
| BMW | 4055 € | 4733 € |
A surpresa do levantamento fica por conta do grupo Jaguar Land Rover (JLR), que assumiu a segunda posição com um lucro de 18.657 euros (R$ 104,3 mil) por unidade. O resultado colhe os frutos de uma reestruturação que priorizou a venda de SUVs de altíssimo valor agregado, como as linhas Range Rover e Defender, em detrimento de modelos de entrada.
A Tesla ocupa o terceiro lugar global e segue como a única marca 100% elétrica no topo da lista. A montadora lucrou 5.859 euros (R$ 32,7 mil) por automóvel. Embora mantenha uma operação altamente eficiente, o número reflete uma queda de margem em relação ao ano anterior, consequência direta da agressiva guerra de preços iniciada pela própria marca para conter o avanço das rivais chinesas.
A tabela é fechada pelas gigantes alemãs Mercedes-Benz, com ganho de 4.943 euros (R$ 27,6 mil), e BMW, com 4.055 euros (R$ 22,6 mil). Ambas enfrentam uma compressão em seus lucros, diretamente pressionadas pela instabilidade industrial e pela necessidade de altos investimentos em novas plataformas tecnológicas.