Carro elétrico pega fogo após colisão frontal com picape em rodovia do Paraná
Bate em hatch elétrico importado da China levou a um óbito e quatro feridos entre os ocupantes; impacto teria ocorrido durante ultrapassagem
Publicado em 20/07/2026 às 10h31
Atualizado em 20/07/2026 às 11h03
Um carro elétrico pegou fogo e ficou destruído após uma colisão frontal com uma caminhonete, nesse domingo (9), em uma rodovia no interior do Paraná. Além dos danos causados pela forte batida, chamou atenção o estado do Geely EX2 – hatch 100% elétrico — após o impacto. O carro, importado da China, foi totalmente consumido pelas chamas.
Segundo apuração da TV Globo via RPC, havia cinco ocupantes no EX2: o motorista, que morreu, e quatro ocupantes que ficaram gravemente feridos. Os passageiros feridos seriam a esposa do condutor e seus três filhos pequenos, de 2, 9 e 11 anos.
O que aconteceu?

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, o carro elétrico tentava ultrapassar um caminhão quando, ao trafegar pelo sentido contrário, colidiu de frente com uma Chevrolet S10; todos os veículos estavam em altas velocidades, compatíveis com a rodovia. O incidente ocorreu na BR-277, no município de Candói (PR), a 330 km de Curitiba.
Os danos na caminhonete também foram severos, com a S10 capotando para fora da vida mas sem indícios aparentes de fogo no veículo, que levava três pessoas. Todos sofreram ferimentos moderados, segundo a RPC: o motorista (53 anos), sua esposa (53) e seu filho (28).
O Geely EX2 no Brasil
O Geely EX2 foi lançado no Brasil em novembro do ano passado, com preços que partem de R$ 123.800 e chegam a R$ 136.800 na versão Max, que foi a envolvida no acidente. O preço competitivo fez do EX2 o 3º carro elétrico mais vendido do Brasil no mês passado, atrás apenas de rivais da BYD.
As unidades à venda no Brasil ainda são importadas da China. Em breve, porém, o Geely EX2 será produzido na fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR), como resultado da marca chinesa ter se tornado dona de 26,4% das ações da marca francesa no Brasil. O Grupo Geely também é dono de marcas relevantes ao redor do mundo, como Volvo e Lotus.

No pacote de segurança do EX2, estão seis airbags, controles de estabilidade e tração e, na versão Max, frenagem autônoma de emergência e câmera 360°. Sobre incêndios especificamente, a Geely afirma que o EX2 conta com um sistema próprio de proteção da bateria, arquitetura estrutural reforçada e monitoramento de temperatura em tempo real. A montadora também destaca o uso de células LFP — quimicamente mais estáveis e menos propensas à fuga térmica do que as de níquel.
Até o momento, o hatch ainda não foi submetido a nenhum dos testes do padrão NCAP, que avaliam, ao redor do mundo, a segurança dos automóveis em diferentes tipos de colisão. Quem já passou por esses testes foi o SUV EX5, também vendido no Brasil, que obteve nota máxima em todas as provas.
Elétricos pegam fogo mais que carros a combustão?

Até o momento, as investigações preliminares do acidente não apontaram alguma correlação entre o incêndio do Geely EX2 e o fato desse ser um veículo elétricos. Levantamentos internacionais, inclusive, ainda indicam que carros a combustão pegam fogo com muito mais frequência do que os elétricos.
A australiana EV FireSafe, financiada pelo Departamento de Defesa do país, estima um risco de incêndio de cerca de 0,0012% para elétricos, ante aproximadamente 0,1% para modelos a gasolina e diesel. Análises com base em dados do NTSB (a agência de segurança dos EUA) apontam na mesma direção, com cerca de 25 incêndios por 100 mil elétricos contra aproximadamente 1.530 por 100 mil carros a combustão. Na Suécia e na Polônia, órgãos oficiais chegaram a proporções semelhantes.
O quadro é mais nuançado, porém, quando se olha apenas para incêndios após colisões graves: nos dados do NTSB, colisões fatais com carros a gasolina resultaram em incêndio em 3,17% dos casos (644 de 20.315) e, em híbridos, em 2,21% (12 de 543). Para os elétricos, no entanto, a amostra é pequena demais (cerca de 41 colisões fatais catalogadas) para permitir uma comparação estatística confiável, alertam os especialistas.
O consenso possível é que, quando um elétrico pega fogo depois de um acidente, o combate tende a ser mais difícil: as chamas atingem temperaturas mais altas, exigem muito mais água e há risco de reignição horas ou dias depois.
