Após falir sete vezes, Aston Martin toma mais R$ 3,74 bilhões emprestados
Pacote de R$ 3,06 bilhões vai quitar dívidas antigas, enquanto rumores apontam a chinesa Geely como possível compradora da marca
Publicado em 24/07/2026 às 13h00
A Aston Martin conseguiu um alívio e tanto para o caixa. A fabricante britânica de superesportivos de luxo — que já pediu falência sete vezes ao longo de sua história — anunciou um novo financiamento de £ 550 milhões (R$ 3,74 bilhões) em meio a mais uma fase de aperto financeiro. O acordo é liderado pela gestora HPS Investment Partners e chega em boa hora, justamente quando a situação da empresa voltava a apertar.
Como o negócio foi estruturado
O pacote combina um empréstimo garantido de £ 450 milhões (R$ 3,06 bilhões) com uma linha adicional de £ 100 milhões (R$ 680 milhões) que pode ser sacada pela Aston Martin mais adiante. A montadora ainda ganhou autorização para tomar outros £ 100 milhões (R$ 680 milhões) em dívida, caso precise.
Boa parte dos recursos, porém, não é dinheiro novo entrando no caixa: os £ 450 milhões servirão para quitar dívidas já existentes. Entre elas está uma linha de crédito rotativo de £ 170 milhões (R$ 1,16 bilhão) e cerca de £ 20 milhões (R$ 136 milhões) que haviam sido sacados de um fundo de £ 50 milhões (R$ 340 milhões) mantido pelo Yew Tree Consortium — grupo liderado por Lawrence Stroll, bilionário coproprietário da marca e chefe da marca também na Fórmula 1.
Segundo o diretor financeiro Doug Lafferty, o aporte “fortalece de forma significativa nossa liquidez” e dá à empresa mais fôlego e flexibilidade para executar seus planos de produtos atuais e futuros. A Aston Martin afirma esperar melhora nas margens e na geração de caixa nos próximos anos, apoiada em um mix de modelos “essenciais e especiais”.

E os chineses?
O anúncio surge poucos meses depois de relatos de que a gigante chinesa Geely poderia estar de olho em assumir o controle da Aston Martin. O grupo já é dono da Lotus e da fabricante do táxi elétrico de Londres, e seu fundador, Li Shufu, é conhecido pelo apreço por marcas britânicas.
Se os atuais investidores e proprietários veriam com bons olhos uma influência maior da Geely, ainda é uma incógnita. Mas o momento é delicado: o valor de mercado da Aston Martin, que já beirou £ 4,3 bilhões (R$ 29,2 bilhões), hoje equivale a cerca de um décimo disso — o que abriria espaço para um comprador de peso aproveitar a baixa.
Por ora, o financiamento afasta o risco imediato e dá tempo para a marca colocar seus planos de pé.
