ANTT suspende testes de radares de velocidade média em rodovias federais
Agência quer rever sinalização e comunicação antes de retomar a fiscalização por trecho; modelo que precisa de lei para multar de verdade
Publicado em 22/09/2026 às 20h00
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu temporariamente os testes de controle de velocidade média em rodovias federais concedidas.
A decisão foi formalizada em atos da Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (Surod) publicados no Diário Oficial da União desta segunda-feira (21) e interrompe os projetos-piloto autorizados no início de setembro em trechos de oito estados.
Segundo a agência, a pausa permitirá novas análises técnicas e ajustes em procedimentos, operação, sinalização e comunicação com os motoristas. A retomada depende de manifestação expressa da própria Surod, e a autarquia não estipulou prazo para uma nova etapa de avaliação.
Os experimentos estavam previstos para rodovias do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Nenhum motorista foi penalizado durante a fase experimental. “Desde o início, os atos que autorizaram os testes determinaram expressamente que os dados aferidos não poderiam ser utilizados para aplicar penalidades aos usuários”, informou a ANTT em nota. Radares convencionais e as demais formas de fiscalização seguem valendo normalmente: a suspensão atinge apenas os projetos-piloto de velocidade média.
Como funciona o radar de velocidade média
O modelo difere do radar fixo tradicional, que flagra o veículo em um ponto isolado da pista. No controle por velocidade média, dois ou mais pontos de monitoramento registram a passagem do carro, e o sistema calcula o tempo gasto no percurso entre eles.
Se o trajeto for concluído em tempo inferior ao compatível com o limite da via, fica caracterizado o excesso de velocidade.
É justamente esse funcionamento que motivou a revisão. Para que a fiscalização seja compreendida, o motorista precisa saber onde começa e onde termina o trecho monitorado e qual é a velocidade regulamentada no segmento — pontos que a ANTT quer detalhar melhor na sinalização e na comunicação antes de liberar novos testes.
Tecnologia já rodou no Brasil
O conceito não é inédito no país: na BR-050, a EcoRodovias utiliza o monitoramento por velocidade média desde 2022. Segundo a concessionária, os acidentes com feridos no trecho caíram 35% na comparação entre os primeiros semestres de 2022 e 2026, período encerrado sem registro de mortes — uma redução de 100% em relação ao mesmo intervalo de quatro anos antes.
A empresa pondera que os resultados refletem um conjunto de ações, incluindo campanhas educativas e operações em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A ANTT afirma que os projetos-piloto integram os esforços para ampliar a segurança viária no país, alinhados aos compromissos da Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2021-2030, da ONU.
