A Sony teve um rombo bilionário por causa do seu carro elétrico e do Playstation; marca agora foca no Snoopy

Após tombo no lucro trimestral, empresa aposta no Snoopy e em desmembramento financeiro para recuperar valor de mercado

A parceria automotiva entre Sony e Honda gerou prejuízos após o cancelamento dos planos (Foto: Afeela | Divulgação)
Por Tom Schuenk
Publicado em 08/05/2026 às 13h00

A Sony divulgou seu balanço do último trimestre financeiro, e até lucrou bem: 83,12 bilhões de ienes (R$ 2,82 bilhões). Acontece que as coisas pioraram bastante, pois o dinheiro embolsado pela empresa foi 63% menor do que no período passado. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (8), frustrou as projeções de analistas e tem dois culpados bem claros: a divisão de veículos elétricos e o PlayStation.

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Impacto da mobilidade e do setor de games

Um dos fatores centrais para o balanço negativo foi o prejuízo na Sony Honda Mobility, a joint venture voltada ao desenvolvimento de carros elétricos que cancelou o projeto do primeiro deles, o Afeela 1. A operação registrou uma perda de 44,9 bilhões de ienes (R$ 1,52 bilhão), refletindo os altos custos de investimento e a interrupção dos planos.

Paralelamente, o PlayStation 5 enfrenta uma fase de saturação em seu ciclo de vida, com custos elevados de componentes, como chips de memória, que comprimem as margens operacionais. Apesar da queda no lucro, a receita trimestral avançou 8,3%, atingindo 3,03 trilhões de ienes (R$ 103,22 bilhões). O crescimento no faturamento, contudo, não foi suficiente para compensar o aumento das despesas de produção e os investimentos deficitários em novas frentes de tecnologia.

Reestruturação e foco em propriedades intelectuais

Para mitigar a desvalorização de 22% de suas ações no último ano, a Sony intensificou uma guinada estratégica em direção ao entretenimento puro. O grupo confirmou a aquisição de 80% da detentora da marca Peanuts (Snoopy) por US$ 460 milhões, visando fortalecer seu portfólio de direitos autorais. A empresa também planeja o desmembramento de seu braço de serviços financeiros para concentrar recursos em música, cinema e tecnologia de imagem.

A projeção para o ano fiscal que se inicia é de recuperação. A companhia estima uma alta de 12,5% no lucro líquido, ancorada no ajuste de custos e na monetização de suas propriedades intelectuais. O sucesso da meta dependerá da capacidade do grupo de equilibrar o ambicioso projeto de mobilidade com a manutenção da liderança no setor de games.

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