Quebra mola: saiba o jeito certo de passar o carro por ele
Um engenheiro mecânico explica a maneira certa de passar sobre os quebra-molas sem estragar o carro, e também o que não fazer nessa hora
Publicado em 08/10/2018 às 08h00
Atualizado em 02/03/2020 às 18h49
O quebra mola, apesar de ser pensado para a segurança viária, é geralmente visto como um tormento na vida dos motoristas. E talvez não seja à toa, já que o aparato pode danificar componentes do carro em determinadas condições.
Para escapar desse risco, o engenheiro mecânico e conselheiro da Sociedade de Engenheiro da Mobilidade (SAE) do Brasil, Francisco Satkunas, dá dicas de como passar em lombadas corretamente.
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Em primeiro lugar, Satkunas explica que o motorista deve evitar de passar sobre o obstáculo com o carro na diagonal. “O correto é que as duas rodas do veículo passem sobre a lombada simultaneamente e de forma suave”, diz ele.
A razão, segundo o engenheiro, é que o quebra mola exerce uma força sobre os componentes da suspensão do carro quando ele está passando sobre ela. Passando com as duas rodas, essa força será distribuída, aliviando o impacto.
Além disso, ao passar com o carro na diagonal, ocorrerá uma força de torção sobre a estrutura do automóvel, especialmente nos que possuem configuração do tipo monobloco. Nesse caso, seria como se o carro estivesse sendo torcido, o que coloca carga sobre o sistema de soldagem.

Da mesma forma, não é indicado passar com apenas uma roda do carro sobre o quebra-molas, tentando aproveitar o espaço da sarjeta. Isso também vai sobrecarregar o sistema, colocando todo o peso sobre a roda que passou sobre o obstáculo, e torcendo o eixo do carro.
A outra recomendação de Satkunas é que o motorista evite frear quando estiver passando sobre a lombada. O motivo é que, ao frear, todo o peso do carro é transferido para o eixo dianteiro. Assim, todo o conjunto de tração e suspensão que se encontra nas rodas dianteiros fica sobrecarregado.
Devido a isso, a dianteira do veículo se abaixa. Por isso, esse seria o pior momento para as rodas enfrentarem um obstáculo vertical, que representa uma força no sentido contrário ao da frenagem. “Tente frear o máximo possível antes da lombada, mas quando ela chegar, tire o pé do freio para eliminar a sobrecarga sobre a suspensão e as molas”, resume ele.
Como passar no quebra mola corretamente
Resumindo, o jeito certo de passar por lombadas é:
- Passe com as duas rodas dianteiras do carro simultaneamente – não passe na diagonal nem com apenas uma das rodas
- Freie e reduza a marcha antes de passar pelo quebra mola, soltando o freio no momento de subir no obstáculo
Passar no quebra mola pode estragar o carro
A passagem inadequada por lombadas, esclarece o engenheiro, pode levar a deformações e diminuição da durabilidade dos componentes da suspensão, molas e amortecedores. Outra consequência que pode ocorrer é o surgimento de ruídos, conhecidos como grilos, ou vibrações indesejáveis no veículos.
Esses ruídos e vibrações podem ocorrer no caso de uma sequência de quebra molas mais íngremes. A razão é que as porcas e parafusos utilizados na montagem do carro têm uma tendência natural a se desapertarem ao longo do tempo, o que é facilitado nessas condições.
O conjunto traseiro, lembra Satkunas, também sofrerá o impacto. A maior parte dele, entretanto, é sentido pelo eixo dianteiro. O engenheiro também comenta que veículos com estrutura do tipo chassi são menos suscetíveis aos impactos de um quebra mola.
Lombada deve estar no padrão do Contran
Com o nome técnico de ondulação transversal, a lombada é regulamentado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e instalado pela administração municipal. A resolução 600, emitida pelo órgão de trânsito em 2016, é o que determina as características dos quebra-molas.

Segundo o texto, existem dois tipos de quebra mola. O do tipo A é mais suave, com 3,7 metros de comprimento, e reduz a velocidade de um veículo a 30 km/h. Já o tipo B é mais angular, com 1,5 metro de comprimento, reduzindo a velocidade para 20 km/h. Ele só pode ser instalado em vias urbanas de trânsito local, e nenhum dos dois tipos pode ser instalado em rodovias.
Além disso, o Contran também determina que todas as lombadas devem ser sinalizadas através de pintura própria e placas de trânsito. Assim, o quebra-molas deve ser totalmente pintado de amarelo ou com faixas amarelas. As placas devem indicar a velocidade máxima permitida de acordo com o tipo de quebra mola.
Também deve ser instalada placa de advertência indicando a proximidade da lombada antes dela e, também, no mesmo ponto em que ela estiver.
O próprio órgão explica, no Código de Trânsito Brasileiro, que o uso da lombada como redutor de velocidade deve ser evitado. O quebra mola só deve ser usado em casos especiais. O órgão esclarece que, para tanto, deve ser feito um estudo técnico de engenharia de tráfego demonstrando a necessidade do dispositivo.
Ao mesmo tempo, deve ser demonstrado que outros métodos para redução de velocidade não funcionaram.
“Lombofaixa” é solução mais inteligente
O engenheiro da SAE, Francisco Satkunas, aponta para problemas com relação ao quebra mola. “A lombada é uma solução pouco inteligente para criar um obstáculo impedindo que a pessoa trafegue em determinadas velocidades”, coloca ele.
Satkunas acredita que as “lombofaixas”, um aparato eu vem sendo introduzido em algumas cidades, é mais interessante. O dispositivo é uma espécie de faixa de pedestres elevada, que atravessa toda a vida de trânsito, pintada de laranja e branco.
Ela tem uma parte plana no topo, com cerca de dois metros de comprimento. O engenheiro explica que, devido a essa característica, a “lombofaixa” é mais indicada que o quebra mola. “É uma solução mais inteligente para a segurança do automóvel”, aponta ele.
Boris Feldman também comenta
Em Nova Iguaçu nos bairros ao longo da estrada de madureira os quebra molas são um tormento.
Moradores constroem quebra molas com concreto e ficam parecidos com postes deitados nas ruas. Alguns carros tem o cano de descarga arrancados por essas aberrações.
Quem precisa usar a MG-040 para ir até Sarzedo ou Brumadinho, sabe a tristeza que é passar nessa rodovia. Deve ter uns 2000 quebra-molas até chegar ao destino… e tem até quebra-carro no meio da estrada.
“Ele (quebra molas) só pode ser instalado em vias urbanas de trânsito local, e nenhum dos dois tipos pode ser instalado em rodovias.” Quem trafega na RJ 106 no perímetro de Maricá sabe que essa proibição não é obedecida. Ilegal, e daí? Quem fiscaliza?
