Shineray é processada: Associação Brasileira alega irregularidades na montagem das motos
Averiguação preliminar foi instaurada em novembro de 2025, mas veio á tona após posicionamento público da Abraciclo
Publicado em 11/02/2026 às 12h00
Atualizado em 12/02/2026 às 09h33
A Shineray é alvo de um processo administrativo no Ministério da Justiça e Segurança Pública, instaurado ainda em novembro de 2025, mas que só veio a público em fevereiro de 2026, após a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – Abraciclo – divulgar um manifesto confirmando a denúncia apresentada contra a fabricante.
O documento acusa a fabricante de possíveis irregularidades graves no processo de fabricação das motocicletas, que comprometeriam a saúde do condutor e as normas ambientais.
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O que diz a notificação da Abraciclo contra a Shineray
Segundo a notificação oficial, a averiguação foi instaurada com base no artigo 55, §4º, do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), no Decreto nº 2.181/1997 e na Portaria MJ nº 905/2017.
A denúncia apresentada pela Abraciclo aponta supostas irregularidades graves no processo de fabricação de motocicletas da Shineray, que poderiam gerar:
- Riscos ao consumidor;
- Impactos ao meio ambiente;
- Violação à concorrência leal; e
- Comprometimento da segurança no trânsito.
De acordo com o documento, a entidade afirma ter recebido alertas de associadas sobre possíveis desconformidades técnicas nos produtos comercializados.
Irregularidades técnicas apontadas na denúncia
A Abraciclo apontou que os maiores problemas nos processos da Shineray estariam na ausência de catalisadores, canisters e ventilação do cárter. Itens que atualmente são muito importantes para manter os níveis de emissão de poluentes dentro do exigido.
“Com o fim de atribuir substância fática à denúncia, a Abraciclo pontuou que, no processo de fabricação das motocicletas, é possível observar: (i) a ausência de catalisador nos produtos, o que, supostamente, acarreta potencial descumprimento à norma que regulamenta os limites de emissão de poluentes; (ii) a ausência de cânister, o que, supostamente, coloca em risco o meio ambiente e a saúde pública, sem prejuízo da saúde e da segurança individual do consumidor; e (iii) a ausência de ventilação do cárter, o que, supostamente, externaliza riscos graves à saúde e à segurança do consumidor, bem como à coletividade e ao meio ambiente, tendo em vista a elevada exposição a compostos nocivos à saúde e ao meio ambiente”, destaca a notificação.

Notificação formal à empresa
Com base na denúncia, a Senacon notificou oficialmente a Shineray para que apresente esclarecimentos técnicos no prazo de 20 dias corridos, contados do recebimento da intimação.
A empresa deverá se manifestar especialmente sobre:
- Os supostos riscos à saúde e segurança do consumidor;
- O eventual excesso de emissões de poluentes e ruído;
- A conformidade dos produtos com as normas ambientais e técnicas vigentes;
- A integridade das informações prestadas ao consumidor.
Caso a empresa não se manifeste, o processo poderá prosseguir com a continuidade da averiguação e eventual adoção de medidas legais cabíveis.
- Questionamos a Shineray sobre a veracidade das acusações, qualidade de seus produtos e se já existe alguma resposta oficial contra as acusações. Em resposta a fabricante afirmou que “opta por não se manifestar sobre os questionamentos”, mas aproveitou o espaço para esclarecer “que os produtos da Shineray do Brasil seguem rigorosamente os padrões técnicos, normativos e legais exigidos pelos órgãos competentes, estando plenamente regulares.”
