Stellantis quer tecnologia chinesa da Leapmotor em carros da Fiat, Peugeot e mais
Integração de baterias e motores chineses a marcas como Fiat e Peugeot visa conter avanço da BYD em cenário de prejuízo e pressão sobre a Stellantis
Publicado em 03/03/2026 às 13h00
A Stellantis negocia a ampliação de sua parceria com a chinesa Leapmotor para integrar tecnologias de veículos elétricos da fabricante asiática em modelos de marcas de volume na Europa, como Fiat, Opel e Peugeot. A iniciativa, revelada por fontes da Bloomberg próximas às tratativas, visa reduzir custos de produção e acelerar a resposta do conglomerado automotivo à ofensiva de rivais chinesas como BYD e MG Motor.
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O foco das discussões é o acesso a sistemas avançados de baterias e de propulsão elétrica (powertrain). Caso o acordo avance até o fim deste ano, a Stellantis se tornará a primeira grande montadora ocidental a adotar a arquitetura estrutural e o software de uma fabricante chinesa para sustentar seu portfólio no continente europeu.

A movimentação ocorre em um cenário de forte pressão financeira: no início deste mês, a montadora anunciou baixas contábeis de 22,2 bilhões de euros (cerca de US$ 26,1 bilhões), reflexo da perda de participação de mercado e da queda nos lucros. A nova estratégia, sob a liderança do CEO Antonio Filosa, tenta conter o excesso de capacidade industrial e a desaceleração global na demanda por carros elétricos.
Há, contudo, entraves regulatórios significativos. As empresas avaliam como contornar preocupações sobre segurança de dados e as novas regras dos Estados Unidos que, a partir de 2027, proíbem a venda de veículos conectados com tecnologia da China ou da Rússia. O cumprimento dessas normas é vital para a operação global das marcas envolvidas.
A Stellantis afirmou que mantém discussões regulares para expandir a cooperação com a Leapmotor, joint venture criada em 2023 após um investimento inicial de US$ 1,1 bilhão. Atualmente, o grupo detém 15% da fabricante chinesa. Embora as ações tenham subido 0,6% em Milão após a notícia, os papéis acumulam uma desvalorização de 31% no ano.
