Item mais radioativo de carros elétricos não é motor, mas acessório inusitado
Medição em condições reais surpreende ao revelar que acessório de conforto gera mais campo magnético que as baterias de alta voltagem
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/12/2025 às 14h00
A ascensão dos veículos elétricos no mercado global trouxe, além da inovação tecnológica, uma série de temores infundados. Um deles é de que as baterias de alta voltagem e os motores elétricos emitiriam radiação nociva à saúde: o que acaba de ser desmistificado por uma análise técnica rigorosa.
Solicitado pelo Escritório Federal Alemão de Proteção Radiológica, o estudo foi conduzido pelo ADAC (Allgemeiner Deutscher Automobil-Club) — maior associação automobilística da Europa — para verificar se os campos eletromagnéticos gerados poderiam causar danos biológicos a condutores e passageiros.
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Metodologia
Para o experimento, foram selecionados 11 modelos de carros elétricos de diferentes fabricantes, além de veículos híbridos e a combustão para efeito comparativo. Os engenheiros utilizaram sensores de densidade de fluxo magnético instalados em manequins, posicionados estrategicamente na cabine para mensurar exposição a cabeça, tronco e pés. As medições ocorreram em cenários de uso real, incluindo acelerações bruscas e frenagens regenerativas intensas — momentos em que o fluxo de corrente elétrica é máximo.
O resultado foi categórico: mesmo nos picos de exigência do motor, os níveis de radiação permaneceram muito abaixo dos limites internacionais de segurança. Em nenhum cenário a exposição chegou perto de representar risco. O ponto de maior incidência detectado foi na região dos pés e tornozelos, devido à proximidade física com o chicote elétrico e o motor, mas, ainda assim, os valores foram inferiores a 10% do limite máximo permitido. Nas regiões vitais, como cabeça e tórax, a radiação foi praticamente nula.
Bancos aquecidos emitem mais que o motor
Um dado irônico revelado pelo estudo do ADAC é que os carros elétricos não são, necessariamente, os maiores emissores de campos magnéticos dentro da cabine. A análise apontou que os sistemas de aquecimento dos bancos — comuns tanto em modelos elétricos quanto nos movidos a gasolina ou diesel — geram leituras de campo eletromagnético superiores às do próprio conjunto propulsor elétrico.
A conclusão dos especialistas alemães é que o “eletrosmog” (poluição eletromagnética) dentro de um carro elétrico moderno é inofensivo, frequentemente menor do que o encontrado em veículos a combustão equivalentes. A exposição registrada é comparável, e muitas vezes inferior, àquela gerada por eletrodomésticos comuns do cotidiano, enterrando a tese de risco radiológico.
