Divergência entre França e Alemanha deve adiar para 2026 a revisão das regras que podem banir motores a combustão e impor multas bilionárias.
A indústria automotiva europeia vê diminuir as chances de um acordo rápido para flexibilizar as rígidas metas de emissões da União Europeia. O setor, que esperava uma definição ainda em dezembro sobre o relaxamento dos limites de CO2 e o futuro do banimento dos motores a combustão previsto para 2035, lida agora com a provável postergação do debate para o ano que vem.
O pessimismo decorre da falta de consenso político. Representantes das montadoras aguardavam um convite para dialogar antes do anúncio oficial do “Pacote Automotivo”, agendado inicialmente para o dia 10 de dezembro. No entanto, foram alertados de que a falta de alinhamento entre as potências do bloco deve travar a agenda.
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O impasse expõe a fissura entre Alemanha e França: enquanto Berlim pressiona por flexibilizações para proteger sua indústria, o governo francês, enfraquecido por um parlamento fragmentado, teme que ceder às montadoras aliene o apoio de partidos verdes e de esquerda.
Do lado das empresas, o tom é de urgência. John Elkann, presidente da Stellantis, afirmou na última terça-feira (25) que, embora a eletrificação seja o caminho, o mercado atual não comporta uma transição forçada. A Porsche, por sua vez, já reduziu investimentos em elétricos diante da baixa demanda por modelos como o Taycan.
Os números corroboram a cautela dos executivos. Enquanto a venda de elétricos puros perde tração, os híbridos plug-in cresceram cerca de 40% na Europa em outubro, indicando a preferência do consumidor por uma tecnologia de transição.
Anna-Kaisa Itkonen, porta-voz da Comissão Europeia, tentou minimizar o atraso, afirmando que os preparativos seguem e que o bloco busca concluir a revisão “o mais rápido possível”. Para as montadoras — pressionadas pela concorrência chinesa da BYD e por altos custos de energia —, a demora significa manter investimentos bilionários em suspenso, sem saber se as multas por emissões serão ou não aplicadas já no próximo ano.
Pois é, não acontece só aqui.
Lá no tal do “primeiro mundo”, por vezes a burocracia também é substituída pela buRRocracia!