Brasileiros estão envelhecendo e isso torna os carros elétricos ainda mais importantes, diz estudo
Estudo do ICCT associa o envelhecimento da população e o crescimento da frota a um salto de 47% nas mortes por poluição veicular no país até 2050
Publicado em 23/07/2026 às 09h00
Atualizado em 23/07/2026 às 09h38
O envelhecimento acelerado da população brasileira, somado ao crescimento da frota de veículos, pode aumentar em 47% o número de mortes prematuras ligadas à poluição do transporte rodoviário até 2050. É o que aponta um estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT).
Segundo o levantamento, cerca de 8 mil pessoas morreram prematuramente no Brasil em 2024 por causa da poluição emitida por veículos, o que coloca o país na 17ª posição do ranking mundial. No mesmo ano, foram registrados aproximadamente 9,2 mil novos casos de asma infantil atribuídos à exposição aos poluentes do trânsito.
Por que o envelhecimento agrava o problema
Populações mais velhas são mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica, e o Brasil está envelhecendo rápido. De acordo com as Projeções da População do IBGE (2024), a parcela de idosos com 60 anos ou mais quase dobrou entre 2000 e 2023, saltando de 8,7% para 15,6% da população.
A tendência é de aceleração: a idade média do brasileiro passou de 28,3 anos em 2000 para 35,5 anos em 2023, e deve alcançar 48,4 anos em 2070, quando os idosos representarão 37,8% dos habitantes. O IBGE também projeta que a população do país deixará de crescer em 2041.
O que poderia reverter o cenário
Para o ICCT, manter as políticas atuais significa ver a mortalidade continuar subindo. Já uma transição acelerada rumo a veículos de emissão zero reduziria em 35% as mortes anuais até 2050 e evitaria cerca de 65,2 mil óbitos prematuros e 18,6 mil novos casos de asma infantil entre 2024 e 2050.
O instituto estima que o país precisaria atingir 61% de vendas de veículos leves elétricos até 2035 e 100% até 2045. Entre os pesados, os modelos de emissão zero deveriam chegar a 54% em 2035. Hoje, caminhões limpos representam menos de 0,5% das vendas.
