Lecar vende carro mentirinha, mas o boleto é de verdade
A Lecar foi ao Salão do Automóvel com carros de cenográficos, um time de modelos com roupas justas para te convencer a comprar um carro que não existe
Publicado em 02/12/2025 às 07h00
No salão do automóvel, um dos estandes era da marca Lecar, que não tem fábrica nem automóvel. Tem seu fundador chamado Flávio Assis, que se diz o Elon Musk brasileiro, que começou anunciando um carro elétrico no Rio Grande do Sul, depois passou para um híbrido no Espírito Santo, já foi à China e voltou.
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E tem atualmente três projetos, um sedã, uma picape e um SUV. Em seu estande, nenhum automóvel, apenas maquetes em tamanho real, feitas de isopor, gesso, madeira e cartolina, e um chassi que poderia ser a plataforma de seus automóveis.
Além da velha receita de um time de modelos, todas numa laycra justíssima de se tirar o chapéu. Mas tome cuidado, pois ele já está anunciando a venda deste carro, que não existe, por suaves prestações de pouco mais que R$ 2.000 por mês.
O Salão do Automóvel não deveria ter permitido a instalação dessa pirâmide.
O “ceo” da Lecar descobriu o ponto fraco de muitos consumidores, e nisso ele aposta a suas fichas:
– Aquele sonho e desejo de status, que seduz a desligar o desconfiômetro e pagar (literalmente) pra ver.
É uma velha fórmula que, devidamente retocada, continua funcionando de diferentes maneiras.
Não é tão diferente assim da atual moda-suv que sequestrou o nosso mercado, vendendo gato-por-lebre sob o slogan “você de SUV”. Com a diferença de que ao menos o consumidor recebe um produto.
