Tirando onda, o Honda Civic Si

honda civic si 2018 58
Por Roberto Nasser
Publicado em 13/04/2018 às 18h44

Se você quiser entender o espírito da versão importada do Honda Civic, em morfologia cupê e dito Si, deve procurar o significado das iniciais. É Sport Injection. Nada a ver com o sistema de alimentação, traduzido como Injeção Esportiva mas, no caso, um aditivo de esportividade e, importante, não é para automóvel, mas para o proprietário.

Coisa coerente, o Honda Civic Si por si só porta um pacote de elaboração. O motor de quatro cilindros em linha (L4), 1,5 litro, 16 válvulas, injeção direta, turbo, transversal dianteiro, em primeira geração, está no terceiro nível de potência, atingindo 208 cv e 26,5 kgfm em torque. Caixa mecânica de seis marchas, tração frontal, freios a disco nas quatro rodas, todo o pacote eletrônico de segurança, buchas de suspensão em borracha, substituindo sistema hidráulico, para maior percepção e sensibilidade, barra estabilizadora com 26 mm de espessura.

Honda Civic Si, sigla para Sport Injection

Pacote ajeitado, agradável ao uso especialmente ao urbano, para absorver as irregularidades do piso, mas nada resolve em resultado esportivo. Para transformar automóvel e seu condutor um botão, ao pé do console, muda a programação do automóvel. Está indicado Sport, e, premido, reconfigura o mapa operacional: o acelerador se torna mais responsivo, amortecedores tem maior pressão, direção mais precisa e, diz-se, o turbo eleva a pressão a 1,4 bar.

O conjunto se transforma e o automóvel ganha aderência, seu comportamento para entrar, ficar e sair das curvas aproveitando o amplo torque do motor mostra-o de extrema agradabilidade. Freará melhor, responderá em menor tempo às demandas ao acelerador, desenhará melhor as curvas.

A mudança espelha desejo – e alma – dos usuários. É uma das designações mais honestas no mundo do automóvel, e seu uso muda inteiramente parâmetros operacionais e o comportamento. Conjunto rodas de liga leve e pneus radiais 235x40x18 tenta harmonizar os dois tipos de uso e resistir a pequenos buracos.

Dirigi-o no surpreendente circuito Velo Città, em Mogi Guaçu, SP. Primeiro, com o modo Sport demandado. Ótima experiência, avaliando como o Honda Civic Si se comporta e se manteria com vigor. Pensando como dona de casa na messe de levar meninos ao colégio ou ir ao supermercado, dei uma volta sem o programa de regulagem, e encontrei um carro normal, sobrevivendo à demanda extra. Na prática, um botão altera a personalidade, e o carro esperto de uso urbano, se transforma em um carro muito esperto e com dimensionamento mecânico apto a melhor aproveitar os novos parâmetros de estamina solicitados.

Não espere encontrá-lo para análise ou test-drive num concessionário Honda. O primeiro lote, com adaptação ao uso nacional, como um centímetro a mais em altura livre do solo, e tratamento anticorrosão alcoólica no sistema de alimentação, tem apenas 60 unidades – menos da metade da rede.

Interessado, procure o revendedor e o material de divulgação, e dê um sinal para garantir a entrega. Restante para completar R$ 159,9 mil, à entrega.

P.S. Como o revendedor não investe para comprar a unidade, há margem para pedir descontos ou supervalorizar o usado oferecido como entrada.

O que vende mais? Bom produto? Boa direção?

Se a dúvida é recorrente, a Volkswagen se candidata a responder tal questão. Será com o Tiguan, para mim, o melhor utilitário esportivo da praça. Mas se é bom de aceleração, velocidade, estabilidade, freios, segurança no rodar e preço, tem vendas desproporcionais. Dificuldade básica foi afastada pela reconquista da autonomia da VW do Brasil em gerir suas vendas. Resultado desta definição, empresa reconquistou a peso de ouro de Gustavo Schmidt, ex-gerente comercial, para a vice-presidência no setor. Em dupla com novo presidente Pablo Di Si, subiram 37% nas vendas, ascendendo ao segundo lugar no mercado – e quer voltar a ser a primeira.

VW finalmente reagiu para entender o crescimento de vendas dos utilitários esportivos, e o terá cinco modelos em dois anos, iniciando com o Tiguan.

Tiguan

Mexicano, isento de imposto de importação, agora construído sobre plataforma modular, ótimo aproveitamento de espaço, em especial na cabine. Leva o nome de Allspace. Transmissão, automática, a DSG, sete marchas, mesma de seu primo Audi Q3, equipará versão de topo. Serão duas, com turbo e injeção direta, quatro cilindros, 16 válvulas. No topo, 2,0 litros e 220 cv, 350 Nm (35,7 kgfm) de torque. Mesmo aplicado aos Audi, tem injeção direta na cabeça dos pistões e indireta no coletor de admissão. Disposto, sai da imobilidade aos 100 km/h em notáveis 6,8 s e crava final de 223 km/h. Motor 2 litros indica a disponibilidade de sete lugares.

Opção de entrada, exemplo de redução de pesos e medidas, o 1,4 litro, 150 cv, 250 Nm (25,5 kgfm) de torque – construído pela VW Brasil em São Carlos, SP. Dez cavalos a mais relativamente à versão anterior, nascidos com a troca de pistões e anéis de segmento, recalibragem da centralina. Transmissão automática seis velocidades, vai de 0 a 100 km/h em 9,5 s e arranha os 200 km/h em velocidade final. É ávaro em consumo. Motor menor não tem opção de tração total.

Muda tudo

Nome igual, tudo diferente. Maior, mais largo, mais baixo, maior distância entre-eixos. Na prática melhora o comportamento dinâmico e a habitabilidade.

Externamente, cinco cores, sólida Branca; metálicas Vermelho Ruby, Prata Snow e Cinza Platinum, e a perolizada Preto Mystic – estes intelectuais criadores de nomes de cores deveriam exemplificar o que inspira a Preto Místico? –  Rodas em liga leve 17, 18 ou 19 polegadas de diâmetro. Essas e a decoração da grade frontal mudam de acordo com a versão.

Traseira harmonizada com lâmpadas a LED. Dentro, painel digital com várias configurações, sistema de infodivertimento voltado ao motorista. Ao uso, encaixes perfeitos entre painéis, típicos da qualidade construtiva alemã, grande modularidade dos bancos e ganho de espaço no porta-malas. Há jeito para transportar a prancha de surf que você nunca levará.

As versões 2.0 tem tração total e relativa facilidade de andar, com estabilidade, em estradas de terra. Nada a ver com jipes e outras grosserias mecânicas para trabalhos ínvios como arrancar toco ou rebocar caminhão carregado e atolado, mas andar safo e seguro em locais sem pavimentação.

Adicionalmente, versão R-Line. Em tese, o R sugere sobre rendimento obtido por elaboração da mecânica, como fazem M na BMW, SVO na Ford, AMG na Mercedes, S para Audi. Mas não ocorre. A diferença é apenas decorativa.

Eletrônica foca em conforto, e o Tiguan segue o “Manual Cognitivo” apresentado com o Virtus, apto a responder questões do motorista sobre seu uso.

Versão  R$
Allspace 250 TSI R$ 124.990
Allspace Comfortline 250 TSI R$ 149.990
Allspace R-Line R$ 179.990

Venderá bem? Números dirão.

Tiguan será vendido com duas opções de motor
Tiguan: tira teima (Foto Volkswagen | Divulgação)

Bom dia, viado.

Imagino ter sido esta a frase ouvida por São Pedro, no balcão do SAC celeste, ao receber meu primo Fernando – Luiz Fernando Macedo Nasser, 1951-2018. Vendo registros das ações cristãs na passagem terrena, para dar destino aos chegantes, terá dito “Bom dia, Fernando”. E ouvido, em alto e bom som, a frase título.

Nada pessoal, mas característica do sujeito de bom porte, voz forte, deficiência auditiva levando-o à contra posição de falar alto, e à peculiar saudação com o termo institucionalizado e já não descritivo.

Ex-quase engenheiro carioca, levado a criar gado no interior mineiro, foi generoso, carinhoso, um aglutinador. Há dez anos, encerrou a messe pecuária e se assumiu fiscal da natureza em Teófilo Otoni (MG), tão quente quanto o natal Rio de Janeiro, porém sem mar.

Foi-se aos 67 do mal dos Nasser: coração. A 50% dos descendentes de árabes, falta uma enzima no fígado, e este discreto comandante do organismo, excreta poderosas doses de gordura, formando os ateromas, o lixo aderente às paredes das veias e artérias, diminuindo seu diâmetro, atrapalhando a circulação, levando ao entupimento e à interrupção do fluxo sanguíneo: o infarto.

Perdi primo fraterno e atento leitor. Contudo, o pessoal do andar de cima estará feliz com o convívio, após o susto da inusitada, sonora e diuturna saudação. (RN)

O novo Cruze

Soluções estéticas coreanas marcam 2ª série do Cruze (Foto Chevrolet | Divulgação)

General Motors exibiu substitutos 2019 para os Cruze sedã e hatch, segundo ciclo para o atual modelo, enfatizando alterações em estilo, segurança, motorização. Para marcar, mudança frontal, para-choques, grupo óptico e grade, com inequívoca mão coreana de estilo. Internamente, maior conectividade: tela com 17,5 cm; Wi-Fi Hot Spot 4G LTE. E confortos eletrônicos de segurança democratizados em carros concorrentes à mesma categoria: alerta de ponto cego; de trânsito posterior; sistema de parqueamento automático.

Mudanças serão incorporadas aos Cruze montados na Argentina para a modelia do próximo ano. Motorização 1,5 litro, L4, turbo, 140 cv.

Alfa Romeo terá cupê, o Sprint

Alfa Sprint, o cupê forte

Renascendo com esportivo 4C, sedã Giulia, utilitário esportivo Stelvio, Alfa Romeo gesta cupê derivado do Giulia. Chamar-se-á Sprint, garante a inglesa Autocar, como as revolucionárias Giulia e Giulietta aos anos 50. Mecânica refinada, para combater versões performáticas das marcas premium: Audi RS5, Mercedes-Benz C63 S Coupe, BMW M4 DTM.

Missão aos tracionados por motor V6, 2,9 litros, turbos, e 641 cv. Versão econômica será L4, 2,0 litros e 345 cv. A nova intimidade da Alfa com a Fórmula 1, mesclada com a Sauber, agregará ao Sprint versão do sistema HY-KERS, da Magneti Marelli aplicado ao Ferrari La Ferrari. É motor elétrico com energia para fortificar a curva de torque do motor a gasolina. Reduz emissões, consumo, aumenta performance.

Roda-a-Roda

Começou – Nissan iniciou produzir pré-série dos picape Nissan Frontier na fábrica Renault de Santa Isabel, Argentina. Terá mais opções ante o modelo trazido do México.

Caminho – Primeira fornada é para aferir sequência de operações, ajuste de máquinas, afinação de processos, validação de partes vindas de fornecedores. Tudo entrosado, iniciar-se-á a fabricação. Vendas? Início do segundo semestre.

Depois – Após, com meia dúzia de alterações, será vendido pela Renault como Alaskan e, próximo ano, em mudanças maiores, como Mercedes Classe X.

Nissan Frontier, primeira corrida industrial na Argentina

Fora – Surpreendentemente, o Grupo Gandini, importador da chinesa Geely, com superficial montagem no Uruguai, desistiu da representação. Geely é, dentre as chinesas, das mais promissoras para negócios futuros.

Maior – Direta ou indiretamente, está envolvida com Lotus; táxis ingleses; sueca Volvo; malaia Proton, e nova operação Lynk&Co. Seu controlador, poderoso chinês Li Shufu, tem, pessoalmente, 9,5% da Mercedes-Benz. É o Mr. China.

Resultado – Sorrisos na FCA com os primeiros três meses na Itália: 28,7% das vendas, liderando segmentos com Fiat X500, Renegade, Compass, Alfa Stelvio; dos mais vendidos, os quatro primeiros e o sexto lugares. Panda é o líder.

Premium – No Brasil, Mercedes-Benz fechou primeiro trimestre liderando segmento com 2.551 unidades e 37,8% das vendas – 8% de crescimento em relação a 2017.

Mix – Segredo está no rejuvenescimento da marca e na conformação estética do GLA, segundo mais vendido em 722 unidades. Líder, o Classe C, com 915.

Recomeço – JAC lançará na segunda-feira (16) opção do utilitário esportivo T40, hoje o mais vendido de sua linha: transmissão CVT fazendo as vezes de automática.

Curiosidade – Issao Misogushi, presidente da Honda, com primeira unidade do importado Civic Cupê Si. Curiosidades: não requisitou, mas comprou, e não o fez à fábrica com desconto, mas em concessionário, e a preço de tabela. Vida de cliente, recebeu telefonema para retirá-lo – e não estava pronto.

Negócio – Volkswagen vendendo up! tsi, o turbo, com desconto de R$ 4.000 e financiamento dito como sem juros.

Marco – MAN festeja 25 anos de produção do Volksbus e seus bons resultados de vendas, exportações e montagem em outros países. Não registrou a curiosidade de ter nascido como ônibus Ford, ficando com o produto quando da separação entre VW e Ford, unidas como Autolatina para tentar se salvar.

De novo – A boa fórmula do táxi inglês, ameaçado de findar-se pelas exigências de emissões e a crescente proibição de circular em Londres, motivou a London Electric Vehicle a projetar novo modelo. Elétrico, baixo peso na carroceria, obtido com alumínio fornecido pela laminadora Novelli, para reduzir peso e aumentar autonomia.

SOBRE
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Deixe um comentário