Stellantis engrossa lista contra desequilíbrio do CKD/SKD das chinesas

Grupo multinacional tem uma marca chinesa em sua carteira e diz que poderia fazer uso do mesmo modelo de suas concorrentes

Regimes do tipo CKD e SKD reduzem drasticamente o percentual de nacionalização dos carros e comprometem a cadeia de fornecedores (Foto: Imagem gerada por inteligência artificial ChatGPT | OpenIA)
Por Fernando Calmon
Publicado em 03/04/2026 às 11h00

No Brasil, sem marcas nacionais, a postura dos compradores é claramente liberal. Chineses avançaram rapidamente e aproveitaram o imposto de importação baixo para elétricos e híbridos que só volta aos 35% em julho próximo, em lenta escalada ao longo de dois anos. Não havia taxação até janeiro de 2024. Todavia, outra frente se abre em relação ao modelo de produção CKD (conjuntos completamente desmontados, na sigla em inglês) ou SKD (semidesmontados).

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Até agora, apenas Anfavea e Sindipeças se posicionavam de forma contrária à ampliação descontrolada destes dois arranjos frente ao tradicional, cujo índice de conteúdo local costuma ser de 70% a 80% ou pouco além. Neste caso, incluem-se componentes de fornecedores, além de estamparia, armação, pintura e montagem final. Ou seja, longa cadeia que gera empregos mais bem remunerados.

Modelos caros, como os montados por Audi (Paraná), BMW (Santa Catarina) e Land Rover (Rio de Janeiro), justificam-se pela baixa escala produtiva. Replicar para veículos de preço médio ou de entrada, claramente vai gerar desemprego aqui e empregos no exterior em particular na China, mas não só. GM, Renault e Stellantis decidiram produzir elétricos em CKD ou SKD de baixo impacto nos empregos por representarem apenas 6% das vendas de automóveis e comerciais leves. Para relembrar: híbridos plugáveis não são elétricos, ao contrário destes com extensor de alcance provido por um moto-gerador que não traciona o veículo, apenas recarrega a bateria.

Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, ressaltou: “Se este modelo de negócio, CKD e SKD, for atraente, utilizaremos também. Objetivo de uma indústria é tornar seu futuro viável, ter rentabilidade e gerar investimentos. Sem isso não há futuro. Assim, precisamos utilizar as mesmas armas dos nossos concorrentes.”

Tanto Stellantis (Leapmotor) quanto Renault (Geely) e GM (Saic-Wuling) já decidiram aplicar a mesma estratégia em baixa escala, com suas sócias chinesas. Contudo, devem manter a produção como implantada hoje, se houver equilíbrio de oportunidades.

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