A falta de postos de abastecimento e o alto custo de manutenção fizeram as vendas de carros a hidrogênio despencarem no Japão nos últimos cinco anos
O Japão já apostou alto no hidrogênio para veículos de passeio, mas agora assiste a uma mudança brusca dessa tecnologia. Dados recentes apontam que as vendas de veículos com célula de combustível (FCEV) despencaram 83% entre 2021 e 2025 no país. O setor entrou em um “ciclo vicioso”: sem carros, os postos fecham; sem postos, ninguém compra os carros.
A infraestrutura, apontada como o principal gargalo, está estagnada. O país conta hoje com apenas 149 estações de abastecimento — menos da metade da meta governamental. Na prática, 90% do território japonês é um “deserto” para quem depende do combustível. Para piorar a usabilidade, a maioria das poucas estações existentes encerra o expediente antes das 18h e não opera aos finais de semana, tornando o uso do veículo inviável para o trabalhador comum.
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A barreira econômica também se mostrou intransponível. O custo de construção de uma única estação de hidrogênio gira em torno de R$ 19 milhões. Com uma média pífia de apenas cinco abastecimentos diários por posto, a operação opera em prejuízo constante, afastando investidores privados.
Diante desse cenário, o governo japonês sinalizou uma mudança de rota. A partir de abril de 2026, os subsídios para a compra de carros a hidrogênio sofrerão cortes drásticos, com o orçamento sendo redirecionado para incentivar os veículos elétricos a bateria (BEVs), que ganharam a preferência do consumidor global.
O movimento japonês reflete uma tendência de ceticismo na indústria: gigantes como Stellantis, Renault e General Motors já recuaram em seus programas de hidrogênio para carros de passeio. Ainda assim, algumas marcas resistem: Toyota, Hyundai e BMW mantêm investimentos na área, apostando que a tecnologia ainda pode ter futuro, talvez focado em transporte pesado.