Tecnologia da Red Bull conserta problema crônico de Porsches conversíveis

Parceria utiliza engenharia da F1 para criar reforço em fibra de carbono que eleva rigidez do 911 clássico em 175%

Reforço de fibra de carbono mais que dobrou a rigidez do 911 Targa (Foto: Singer | Divulgação)
Por Tom Schuenk
Publicado em 05/02/2026 às 19h00

A Singer Vehicle Design, renomada restauradora de carros clássicos, recorreu à Red Bull Advanced Technologies para solucionar uma deficiência crônica dos modelos conversíveis do Porsche 911: a baixa rigidez torcional. Mediante o uso de engenharia aplicada à Fórmula 1, a parceria logrou transformar a dinâmica de condução das versões Cabriolet e Targa da geração 964, historicamente prejudicadas pela ausência de um teto fixo.

Em veículos sem a estrutura superior, a conexão entre os eixos dianteiro e traseiro fica comprometida, resultando em um chassi suscetível a torções excessivas durante curvas ou em pavimentos irregulares — fenômeno conhecido na engenharia como scuttle shake. Para mitigar esse comportamento sem descaracterizar o veículo, a tecnologia das pistas foi fundamental.

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A solução técnica e o ganho de rigidez

A resposta da Red Bull ao dilema estrutural foi o desenvolvimento de um kit composto por 13 peças de fibra de carbono, projetadas para fortalecer pontos nevrálgicos do chassi sem alterar a arquitetura original do carro. O resultado prático foi um aumento expressivo de 175% na rigidez torcional. O grande mérito do projeto, contudo, reside na relação peso-potência: o reforço estrutural foi obtido com um acréscimo de massa irrelevante, preservando a agilidade que consagrou os modelos restaurados pela Singer.

Com a estrutura estabilizada, a dinâmica do veículo muda radicalmente. A carga gerada em manobras bruscas deixa de ser dissipada pela deformação da carroceria e passa a ser absorvida corretamente pelo conjunto de suspensão e pneus. Segundo a Red Bull, essa alteração permite que os modelos conversíveis ofereçam, pela primeira vez, uma precisão de direção e eficiência de frenagem equivalentes às dos cupês de teto rígido, eliminando o “abismo dinâmico” que existia entre as configurações.

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