Queda nas vendas no Brasil e crise na Argentina levam Peugeot a abrir PDV e desacelerar a montagem de seus 208 e 2008
A crise econômica que afeta a Argentina e a perda de tração no mercado brasileiro levaram a Stellantis a anunciar uma drástica reestruturação na fábrica de El Palomar, na província de Buenos Aires. A montadora confirmou o corte de um dos dois turnos de produção e a abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), afetando diretamente a fabricação do hatch Peugeot 208 e do recém-lançado SUV 2008.
A medida, relatada pelo site Autoblog, tem implementação prevista para maio de 2026 e evidencia a necessidade de adequar a operação à realidade da demanda. O mercado do Brasil, destino prioritário das exportações da unidade, tem ditado o ritmo dessa retração.
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A fábrica passará por mudanças operacionais severas para estancar a perda de competitividade. O enxugamento do quadro de funcionários via PDV e o encerramento do segundo turno refletem um cenário de instabilidade crônica no setor automotivo local.

A decisão da Stellantis é o reflexo direto de uma conjuntura desfavorável. De um lado, a indústria automotiva argentina amarga seu oitavo mês consecutivo de declínio, com um tombo expressivo de 30,1% apenas no primeiro bimestre de 2026. Do outro, o desempenho da Peugeot no Brasil acendeu um sinal de alerta: enquanto o mercado nacional de automóveis registrou um leve crescimento de 2,5% entre 2024 e 2025, a marca francesa encolheu 17,6%, espremida pela forte concorrência no segmento de utilitários esportivos.
Confira o desempenho dos modelos em 2025:
| Modelo | Vendas Argentina (2025) | Vendas Brasil (2025) |
|---|---|---|
| Peugeot 208 | 29.092 unidades | 9.812 unidades |
| Peugeot 2008 | 15.347 unidades | 11.317 unidades |
Apesar do cenário adverso, a planta de El Palomar mantém uma importância estratégica fundamental. Atualmente, é a única fábrica em toda a Argentina capacitada para produzir veículos híbridos. As versões topo de linha do 208 e do 2008 utilizam o conjunto T200 Hybrid, que alia o motor 1.0 turbo flex de 130 cv a um sistema elétrico auxiliar de 12 volts. A meta da reestruturação é preservar essa capacidade tecnológica, mesmo diante da redução forçada dos volumes de exportação.