O fim do carro elétrico? Stellantis volta atrás e aumenta produção de motores V8

Montadora prevê fabricar mais de 100 mil unidades do motor Hemi em 2026 e cancela híbridos plug-in após mudanças nas regras ambientais americanas

Motores V8 Hemi voltaram a ganhar espaço na estratégia da Stellantis para a América do Norte (Foto: Ram | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 29/01/2026 às 09h00

Na contramão da indústria automotiva europeia, que acelera sua transição energética, a Stellantis redefiniu sua estratégia para o mercado dos Estados Unidos com um retorno agressivo aos combustíveis fósseis. O grupo anunciou que irá triplicar a produção de seus motores V8 Hemi em 2026, superando a marca de 100 mil unidades, para atender a uma demanda recorde na América do Norte.

A decisão marca uma reviravolta para os propulsores aspirados de 5,7 e 6,4 litros, cuja fabricação em Saltillo, no México, parecia condenada após a descontinuação de ícones como o Dodge Charger e o Challenger. Segundo a montadora, a realidade do mercado se impôs sobre a teoria: a procura por veículos de alta performance a combustão permanece aquecida, garantindo margens de lucro significativamente superiores às dos modelos eletrificados.

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Contexto político e recuo na eletrificação

A mudança de rota é sustentada por um cenário político e jurídico favorável nos EUA. Decisões da administração federal e revéses judiciais recentes enfraqueceram a autonomia da Califórnia para impor suas rígidas metas ambientais. Com isso, a Stellantis desvinculou-se do acordo firmado em 2024, que projetava que 68% das vendas no estado seriam de emissão zero até 2030.

O impacto no portfólio é imediato. O Jeep Wrangler V8 voltou a ser comercializado em todos os 50 estados americanos, enquanto as marcas Ram e Dodge reintegraram versões de oito cilindros aos seus catálogos. Em movimento paralelo, o lançamento de novos modelos híbridos plug-in (PHEV) foi cancelado para 2026.

A estratégia, confirmada por executivos da Ram, reforça uma operação de “duas velocidades”: enquanto a Europa segue como laboratório para a eletrificação forçada por normas de CO₂, os Estados Unidos consolidam-se como refúgio para a rentabilidade dos motores a combustão.

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