Montadoras chinesas estão proibidas de venderem carros baratos de mais; entenda

Medida do governo da China busca evitar guerra comercial em que marcas vendem carros abaixo do preço de custo só para roubar clientes da concorrência

A nova regulação proíbe venda de veículos abaixo do custo e acaba com práticas abusivas de mercado (Foto: GWM | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 13/02/2026 às 08h00
Atualizado em 13/02/2026 às 08h43

A China proibiu montadoras de venderem veículos abaixo dos custos reais de produção, em uma medida drástica para estancar a guerra de preços que prejudica o maior mercado automotivo do mundo. As novas diretrizes, divulgadas em 12 de fevereiro pela Administração Estatal de Regulação do Mercado, marcam a intervenção mais assertiva de Pequim para corrigir distorções no setor.

A regulamentação fecha o cerco contra a “contabilidade criativa” ao adotar uma definição ampliada de custo. A partir de agora, o cálculo deve incluir despesas industriais, administrativas, financeiras e de marketing, eliminando brechas usadas para maquiar práticas predatórias. O texto também veta o conluio de preços entre fabricantes e proíbe que montadoras forcem concessionárias a operar no vermelho através de sistemas punitivos de metas.

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O movimento regulatório responde a uma guerra corporativa. A disputa desenfreada por fatias de mercado, embora tenha impulsionado a BYD, levou à falência marcas emergentes como WM Motor, HiPhi e Evergrande Auto. O efeito colateral atingiu até as gigantes: a BYD viu suas vendas despencarem 30% em janeiro de 2026 na comparação anual, após fechar 2025 com retração nos lucros trimestrais.

A asfixia financeira desceu a cadeia produtiva, gerando uma crise de liquidez entre fornecedores que enfrentaram inadimplência bilionária. A intervenção estatal surtiu algum efeito: desde meados de 2025, o prazo médio de pagamento a fornecedores recuou para 54 dias, segundo dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.

Além da tabela de preços, a nova regra mira a tecnologia. Plataformas online atuarão como monitores em tempo real e haverá maior rigor sobre veículos definidos por software, proibindo, por exemplo, que recursos testados gratuitamente sejam convertidos em assinaturas pagas sem clareza prévia.

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