Menos da metade dos trabalhadores de apps contribui para o INSS, aponta estudo

Estudo aponta que instabilidade de renda e falta de políticas públicas deixam 4 em cada 10 profissionais de mobilidade sem qualquer proteção social

A maioria dos motoristas e entregadores utiliza as plataformas como fonte de renda complementar e temporária (Foto: Shutterstock)
Por Tom Schuenk
Publicado em 17/03/2026 às 14h00

Menos da metade dos motoristas e entregadores de aplicativo no Brasil contribui regularmente para a Previdência Social. Segundo levantamento inédito da startup GigU, em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, apenas 43,3% desses profissionais mantêm pagamentos ao INSS, evidenciando a fragilidade da proteção ao trabalhador em um setor que cresce de forma acelerada, mas à margem de garantias básicas.

O estudo revela um cenário de alto risco financeiro: 38,1% dos trabalhadores nunca contribuíram para o sistema e 12,3% interromperam os pagamentos ao longo do tempo. Outros 4,6% realizam contribuições de forma ocasional, enquanto uma pequena parcela (1,7%) afirma sequer saber como ingressar no regime previdenciário para garantir benefícios como auxílio-doença ou aposentadoria.

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Horizonte de incertezas

A baixa adesão ao sistema formal reflete a percepção de transitoriedade do trabalho por aplicativo. Apenas 20,7% dos entrevistados enxergam o trabalho por plataformas como carreira principal, enquanto 38% utilizam o serviço apenas para complementar a renda. O levantamento aponta que a instabilidade dos ganhos e a falta de políticas públicas adaptadas ao modelo de “gig economy” funcionam como barreiras estruturais para a regularização.

Para Luiz Gustavo Neves, CEO da GigU, o cenário desafia tanto as plataformas quanto os formuladores de políticas. “O futuro do trabalho em aplicativos depende de mecanismos de proteção que equilibrem flexibilidade e segurança”, afirma o executivo. Atualmente, a GigU reúne uma comunidade de 250 mil usuários em busca de soluções de segurança e rentabilidade.

Os dados concluem que a promessa de autonomia convive com um vácuo de seguridade. Sem uma reforma que considere a volatilidade desse mercado, o setor caminha para um impasse social, onde a expansão econômica da mobilidade não se traduz em estabilidade para quem opera o sistema no asfalto.

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