Marca de picapes elétricas da Amazon quer que dono conserte o próprio carro na garantia

Slate Auto propõe envio de peças direto ao consumidor para reduzir custos, mas modelo levanta dúvidas sobre segurança e responsabilidade civil

A picape elétrica da Slate promete ser um veículo fácil de consertar e personalizar pelo próprio usuário (Fotos: Slate | Divulgação)
Por Tom Schuenk
Publicado em 06/02/2026 às 12h00

A Slate Auto — uma startup da Amazon focada em picapes elétricas de baixo custo — pretende subverter a lógica tradicional do pós-venda automotivo. A empresa propõe um modelo radical onde os próprios proprietários realizam reparos cobertos pela garantia, eliminando a necessidade de visitas obrigatórias às concessionárias. A estratégia foi detalhada pelo diretor comercial da marca, Jeremy Snyder, em entrevista recente ao apresentador Jay Leno.

A proposta se ancora no movimento “Right to Repair” (Direito ao Reparo), mas o leva a um extremo inédito. Segundo Snyder, a ideia é dar autonomia total ao usuário: a fábrica enviaria as peças de reposição diretamente para a casa do cliente, que executaria a troca.

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Para viabilizar a operação, o aplicativo da Slate incluiria um scanner de diagnóstico OBD-II integrado e manteria parceria com a plataforma RepairPal para comparação de custos de mão de obra, caso o dono prefira um terceiro. No entanto, a premissa de que o proprietário realize manutenções complexas — potencialmente envolvendo freios ou suspensão — acende um alerta vermelho jurídico.

Embora a economia de tempo e dinheiro seja um atrativo teórico, a proposta esbarra em questões graves de responsabilidade civil. Se um reparo de garantia feito por um amador resultar em uma falha mecânica ou acidente, questiona-se de quem seria a culpa. A validade de isenções de responsabilidade (waivers) em tribunais dos EUA é incerta, especialmente quando envolve itens de segurança crítica.

Além disso, o cenário ainda é hipotético: a Slate Auto promete lançar sua picape elétrica por cerca de US$ 25.000 (aproximadamente R$ 145.000) — um valor muito abaixo da média do mercado americano. Contudo, a empresa ainda não entregou unidades funcionais ao público, o que mantém o projeto — e sua polêmica política de garantia — no campo das promessas, ou “vaporware”, até que a produção em massa se concretize.

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