Lamborghini recua, chama elétricos de "hobby caro" e cancela projeto de SUV a bateria

Após resistência do público, montadora italiana abandona plano de veículo totalmente a bateria e focará em híbridos plug-in para atender regras da UE

O conceito do Lanzador não foi completamente descartado, mas o elétrico deve virar um híbrido (Foto: Lamborghini | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 24/02/2026 às 10h00

A Lamborghini decidiu cancelar a produção daquele que seria o seu primeiro carro 100% elétrico. O modelo, derivado do conceito Lanzador, tinha lançamento inicialmente previsto para 2028. No entanto, a forte resistência do público consumidor de alto padrão levou a empresa a rever a sua estratégia de eletrificação total.

Anunciado há quase três anos, o projeto simbolizava a entrada da tradicional marca de superesportivos no mercado de veículos movidos exclusivamente a bateria. Após um adiamento prévio para 2029, a cúpula da montadora optou por descartar a versão puramente elétrica. O motivo central é a falta de afinidade do público-alvo com motores silenciosos.

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Em entrevista ao jornal britânico The Sunday Times, o CEO da Lamborghini, Stephan Winkelmann, foi categórico ao afirmar que o interesse dos clientes em um “touro raivoso” sem o tradicional ronco de um motor V8 ou V12 é praticamente nulo. Segundo o executivo, os veículos elétricos não oferecem a conexão emocional e a essência crua que os compradores da marca exigem.

2 Lamborghini Lanzador concept

A definição sobre o futuro do Lanzador não ocorreu do dia para a noite. A decisão exigiu mais de um ano de avaliações internas e consultas a concessionárias. Para Winkelmann, apostar em carros totalmente elétricos neste momento seria um “hobby caro” e financeiramente irresponsável, visto que demanda alto investimento para um retorno baixo e incerto.

Apesar do revés, o projeto do Lanzador não foi engavetado. A Lamborghini planeja lançá-lo como um veículo híbrido plug-in até o fim da década. A mesma lógica será aplicada à próxima geração do Urus, garantindo um meio-termo pragmático. Dessa forma, a fabricante busca equilibrar as exigências regulatórias de descarbonização da União Europeia com a preservação da identidade que a consagrou no mercado.

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