Geely promete ser a primeira marca chinesa a invadir o mercado dos EUA

Com acesso à fábrica da Volvo e parceria com o Google, Geely prepara terreno para vender seus próprios carros em solo americano

Grupo avalia introduzir modelos no mercado americano apesar de tarifas elevadas e restrições a softwares chineses (Foto: Geely | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 12/01/2026 às 09h00

A fabricante chinesa Geely estuda lançar marcas próprias no mercado dos Estados Unidos, em  um movimento que desafia as barreiras comerciais de Washington e amplia a pressão sobre a indústria automotiva local. Segundo Ash Sutcliffe, chefe de comunicações globais do grupo, o anúncio oficial da entrada no país deve ocorrer nos próximos anos, embora o formato da operação ainda esteja sob análise.

Dona de um vasto portfólio que inclui veículos elétricos, híbridos plug-in e modelos a combustão, a empresa avalia introduzir marcas como Zeekr e Lynk & Co aos consumidores americanos. A estratégia, entretanto, difere de outras rivais asiáticas: a Geely já possui entrada nos EUA por meio do controle da sueca Volvo, adquirida em 2010.

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Primeiros passos

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Geely já marca presença nos EUA através da Volvo, por exemplo (Foto: Volvo | Divulgação)

A penetração do grupo no país já é visível em parcerias estratégicas. A Waymo, divisão de veículos autônomos da Alphabet (Google), utiliza nos EUA robotáxis fabricados pela Zeekr. Sutcliffe não descartou a possibilidade de utilizar a fábrica da Volvo na Carolina do Sul para a produção local, embora um porta-voz da marca sueca afirme que, por ora, não há planos de compartilhar a linha de montagem.

O cenário político, contudo, é adverso. Além das tarifas punitivas sobre carros fabricados na China, Washington planeja proibir o uso de softwares chineses em veículos conectados a partir de 2027. Apesar das restrições e da incerteza gerada por uma nova administração Trump, a Geely afirma que atuará em conformidade com as regulações.

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Carros da Zeekr podem aparecer em breve (Foto: Volvo | Divulgação)

Para analistas de mercado, a ousadia chinesa expõe a vulnerabilidade das montadoras tradicionais. Dan Ives, diretor da Wedbush Securities, avalia que existe uma janela de oportunidade para elétricos chineses nos EUA. O diagnóstico é compartilhado por Jim Farley, CEO da Ford, que já classificou o desenvolvimento técnico chinês como uma “ameaça existencial” e prepara uma picape elétrica de US$ 30 mil para tentar conter a concorrência.

A reação política já começou. O senador republicano Bernie Moreno, aliado de Trump, classificou a possível entrada da Geely como um risco à indústria nacional. Enquanto o debate esquenta em Washington, as chinesas avançam: a BYD ultrapassou a Tesla em vendas globais de elétricos, e a Geely reportou um salto de 59% no lucro líquido no último trimestre, elevando sua meta anual para três milhões de veículos.

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