Em caso inédito, avião assume controle e pousa sozinho com piloto desmaiado

Tecnologia assumiu comando de aeronave executiva após incapacitação do comandante; sistema escolheu aeroporto, comunicou torre e freou na pista

Episódio marcou a primeira utilização prática do recurso de emergência em um avião desse tipo (Foto: Beechcraft | Divulgação)
Por Tom Schuenk
Publicado em 24/12/2025 às 11h00

Um sistema de pilotagem autônoma realizou, no último sábado (20), um feito inédito na aviação civil ao executar um pouso de emergência completo sem intervenção humana. O caso ocorreu no estado do Colorado (EUA), quando um Beechcraft King Air 200 foi controlado pelo recurso Garmin Autoland após a incapacitação do piloto, marcando o primeiro uso da tecnologia em uma situação real de crise neste modelo.

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Protocolo de emergência e comunicação com a torre

A aeronave havia decolado de Aspen com destino a Broomfield. Cerca de 20 minutos após a partida, o piloto sofreu um problema de saúde, acionando o sistema de emergência. O software assumiu imediatamente os controles físicos da aeronave e iniciou a gestão do voo.

O sistema alterou automaticamente o transponder para o código 7700 (emergência internacional) e, por meio de uma voz sintetizada, comunicou ao controle de tráfego aéreo a situação a bordo, informando que o pouso ocorreria em 19 minutos.

Analisando em tempo real variáveis como autonomia de combustível, relevo montanhoso e condições meteorológicas, o computador selecionou o aeroporto metropolitano de Rocky Mountain como a alternativa mais segura.

Precisão técnica e validação da certificação

Garmin Autoland King Air G1000 NXi - Garmin Autoland faz história ao pousar King Air sozinho em emergência real

O “copiloto digital” executou todos os procedimentos complexos: controlou a descida, alinhou a aeronave com a pista 30, reduziu a potência, acionou os freios após o toque no solo e desligou os motores na pista de táxi para permitir o desembarque seguro dos passageiros.

Embora o Autoland já existisse em jatos menores, a certificação da FAA (agência de aviação dos EUA) para a linha King Air, via atualização dos aviônicos G1000 NXi, ocorreu apenas em agosto de 2025. O sucesso da operação valida a eficácia da automação em turboélices de maior porte e encerra debates sobre a confiabilidade do sistema em cenários críticos. Não houve feridos no incidente.

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