Governo chinês aponta perigo em design que imita manche de avião e dá prazo para montadoras voltarem ao formato redondo
O governo da China determinou o banimento dos volantes do tipo “yoke” — modelo retangular similar a um manche de avião — em todos os veículos novos a partir de 1º de janeiro de 2027. A decisão, formalizada pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT), atualiza os protocolos de segurança viária do país e se soma à recente proibição de maçanetas retráteis no país. A medida atinge diretamente estratégias de design de montadoras como a Tesla e a Lexus no maior mercado automotivo do mundo.
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A proibição não é estética, mas técnica. A atualização da norma nacional introduz critérios mais rígidos de proteção aos ocupantes. Estatísticas apresentadas pelas autoridades chinesas indicam que 46% dos ferimentos sofridos por motoristas em colisões têm origem no contato direto com o sistema de direção.
Para mitigar esses riscos, a nova regulação exige que o volante seja submetido a testes de impacto em dez pontos específicos de sua circunferência. O formato yoke, por ser aberto na parte superior, falha automaticamente em oferecer a área física necessária para esses testes, como o “ponto médio da área mais fraca” ou a “seção não apoiada”. Sem essa estrutura, a absorção de energia em uma batida é comprometida, aumentando a letalidade de acidentes.

O veto ao yoke reforça uma onda de ceticismo regulatório da China contra inovações automotivas que priorizam o design em detrimento da segurança funcional. Recentemente, o país também proibiu maçanetas elétricas ocultas após registros de passageiros presos em veículos durante falhas elétricas pós-colisão.
Embora o volante yoke tenha se tornado um diferencial de marketing para a Tesla (nos modelos S e X) e para a Lexus (no SUV RZ), a funcionalidade sempre dividiu opiniões. Enquanto entusiastas defendem a melhor visibilidade do painel, críticos apontam a dificuldade ergonômica em manobras. Com o prazo de adequação estipulado, as fabricantes terão de ajustar suas linhas de produção para garantir que seus modelos continuem homologados para venda nas ruas chinesas.